<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712</id><updated>2011-11-07T13:17:27.247-02:00</updated><category term='poetinha'/><title type='text'>Sobre nuvens e fronhas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>81</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3715439135088210015</id><published>2011-11-04T14:34:00.003-02:00</published><updated>2011-11-04T15:35:59.229-02:00</updated><title type='text'>A outra despedida</title><content type='html'>Ela o viu entrar pelo cômodo, todo ornado, preparado para sair e talvez nunca mais voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Já vais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode responder, não queria dizer que sim. No fundo, no fundo, temia. Teriam os deuses destinado aquela chaga? Não respondeu; o silêncio que se estabelecera já dizia tudo, e parecia falar diretamente ao desespero do olhar dela. Olhos de prata, ele pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo brilho da reluzente armadura suportava a luz insuportável que descia das gotas quentes da dor incontida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Por favor, não chores! Já reinas sobre os homens e, principalmente, sobre mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais bravo guerreiro, semelhante a deuses. Nunca se sentira tão frágil, indefeso. Mortal. Que sensação era aquela, pior que todas as memórias imagináveis de derrotas e de ferimentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não vá. Fique.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tentava não demonstrar aquele mar revolto nos seus pensamentos. A agonia do olhar dela parecia, agora, refletir a dele. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Não vejo razão alguma nesta guerra. Matei tantos, feri outros tantos mais, fiz pais e mães e esposas chorarem por seus queridos... E que ganhei com isso? Um nome, um panteão, glórias a serem cantadas por bardos após a minha queda diante do impiedoso bronze?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo já não fez mais sentido, nem por terra, nem louvores nem poder. Queria ceder àquela fúria desconhecida que fervia seu peito e enchia seus pulmões com uma doçura morna e agradável. Ofegava tenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Intangível, gritante silêncio. Imenso e pleno silêncio. &lt;i&gt;Desertar? Desistir?&lt;/i&gt; Terror de homens e exércitos, agora ele estava imóvel e entregue.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não está. Por que escondes na boca o que seus olhos me dizem?&lt;/i&gt; Ela conhecia as reentrâncias e atalhos do olhar dele, tão impetuoso em batalha. Vulnerável diante dela. &lt;i&gt;Rainha de mim... &lt;/i&gt;Reinas sobre mim, muito e amiúde, pensou. Fechou os olhos, como se negra noite os tivesse coberto. Baixou a cabeça por um instante ou dois. Lembrava daqueles olhos de prata. Até o sol teria se posto por causa deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Então, partirás? Não vá, por favor...&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A pergunta dobrava na saudade já, como um sino incessante. Impasse feito de som e ternura se fez. Lembrou-se das conversas com seu pai, rei de homens e terras, falando do destino que lhe fora reservado. Destino tecido por algum artesão perverso... Não tinha mais vontade ou razão para acatar os caprichos inexoráveis de deuses egoístas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;Remando ou não remando, meu filho, o rio da vida nos leva para a foz do destino...&lt;/i&gt;” Por anos ouvira isso, sob a proteção das estrelas. &lt;i&gt;Destino, por qual razão hei de cumprir? Glórias aos deuses que tomarão o que me é mais caro?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhava para ela agora. Entendia o sentido daquilo agora. Não podia expir a culpa de pecados não cometidos. Essa culpa não era dele. Nosso herói deteve-se diante da porta. Deu um passo para trás, e voltou o olhar para ela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esperava uma resposta. &lt;i&gt;Então, ficarás?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim pensou nosso herói, que antes de ser preferido ou querido por deuses e deusas, era melhor ser homem, e ser daquele olhar. Meus amados olhos de prata... Desígnio algum poderia ser divino diante deles. Naquele instante, ele descobriu algo dentro de si, maior que qualquer guerra, que a fúria de homens e deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo mais forte que um mito e que o tempo. Até porque nem mesmo os séculos conseguiram calar o que ali fora selado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que ali nasceu algo tão imenso e eterno que ficou encrustado em algum vão do céu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3715439135088210015?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3715439135088210015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3715439135088210015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2011/11/outra-despedida.html' title='A outra despedida'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6436644344761839293</id><published>2011-07-20T17:23:00.003-03:00</published><updated>2011-07-20T17:25:01.173-03:00</updated><title type='text'>Em busca do Castelo de Mirra III</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nunca Me Esqueças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei nesses dias de quando entrou em minha vida... De como me fez tão bem perceber que você me levou do desterro à plenitude. Por isso quis tanto te fazer um presente, mas poucas coisas sei fazer que não fermentar palavras, beber e ficar embrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria mesmo te dar um rio, um lago inteiro, o vento, ou então uma manhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não uma manhã qualquer; uma que tenha aromas, sem o desespero de quem foge da treva. Tranquila, sem ardis e razões; pura potência, infinta, ou de quem se põe demoradamente sob luas e se emociona quando a noite se envergonha e o dia aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que te darei é tão irreversível quanto um rio ou um lago, o nonsense e o absurdo. Não é muito além de palavras esparsas em cadernos e rascunhos desconexos. mas saiba que ali deixei plantada toda a poesia que morou em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida não é assim como eu ou você queremos, nem os ventos sopram como queremos. Os pequenos pedaços de candor da vida são arrastados pelas contradições, por aquilo que é. Porque assim é o viver; um ser e não ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vamos atuando constante e insistentemente pelos palcos de nós mesmos. Se te deixo um presente, então que ele possa te ajudar a viver, a descobrir o que você é, e o que você não é. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque esse presente pode denunciar toda vergonha e perfídia que existe por trás de um sorriso ou palavra, porque o ser tem tantos ou mais ardis como o não-ser. E você encontrará o meu carinho nesse instante, quando tal como um dedo apontando para as chagas do ser, o ser e o não-ser brotem dentro de você, desatando tormentas, demolindo tronos, sejam eles feitos de ouro ou de vento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse poder todo está aí, agora e sempre, em você, Nunca Me Esqueças. É seu, nasceu contigo, não é sina nem castigo. Porque você é, e você também não-é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu desejo é que assim o faça, não por amar ou fazer-se amada, mas pela pura alegria de fazer brotar realidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que a todo instante ser, e não ser, completamente, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soslaio&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6436644344761839293?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6436644344761839293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6436644344761839293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2011/07/em-busca-do-castelo-de-mirra-iii.html' title='Em busca do Castelo de Mirra III'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1110660906471065470</id><published>2011-06-07T16:07:00.003-03:00</published><updated>2011-06-08T12:45:58.152-03:00</updated><title type='text'>Liturgia profana e um pequeno prólogo</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aqui estão os versos que fizeram questão de vir morar dentro desta prosa profana, feita de todas as coisas poucas e pequenas desse mundo, de todos os primeiros instantes de manhã e também de todas as outras coisas que eu insistentemente não sei.&lt;br /&gt;Poetinha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, um já antigo Amauta notou que por muito tempo semeou angústias. Estava cansado de angustiar por aí afora o mundo profano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perseguia formas sem nunca tê-las encontrado, como se assim pudesse abraçar um semideus qualquer. Uma forma assim só poderia caber dentro de um abraço que fosse eterno. E assim foi o Amauta. Ao encontro de uma retórica quase-divina, que faria brotar a infinitude de mundos onde a única impossiblidade é não-ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisou rir do inverno, deixar-se domar de frio e de sereno. Foi como aprender a destinar os sonhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tanta chuva, desceu daquele céu profundo um sopro de tanta vida, capaz de abrir açucenas e girassóis no jardim do mundo. No meio desse jardim novo avistava um riacho, onde toda amargura de saudades não aplacadas pode ser lavada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das luzes desse novo dia desce um arco de loucuras que coroa o Amauta. Desse sonho brota uma flor, feita de mito. Essa flor, Eva primordial, que transfigurava desventura em afeto: Amauta colhe Açucena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, convenhamos, uma fonte dessas não poderia brotar do chão, mas senão da boca de uma flor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beleza sagrada do profano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voz incauta sussurra: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;são tão sábias essas coisas que nos convidam à vida, não? E nos vêm por meio de sinais tão sutis, como se fossem feitas das mãos pequenas do vento. Mãozinhas que não fazem movimentos; fazem virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes, Amauta, os donos dessas mãos, esses santos miudinhos, cruzam nossas vidas. Cheirando a sujeira ou biscoito, ou maçã e leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, voz incauta. Outro dia mesmo cruzei com uma, risonha e incansável, sem sombra ou incerteza – o impasse adorável da fragilidade e da ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São esses santos profanos que nos abrem os olhos ao incêndio da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voz incauta vai. "A fonte, o rio, está em ti mesmo, Amauta".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No despertar, pode assim compreender a única realidade que semeara. Que, mesmo ressecada e calada, uma flor suporta mais filosofia do que alguma biblioteca infinita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1110660906471065470?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1110660906471065470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1110660906471065470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2011/06/liturgia-profana-e-um-pequeno-prologo.html' title='Liturgia profana e um pequeno prólogo'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7810709595202306134</id><published>2011-02-07T16:30:00.002-02:00</published><updated>2011-02-07T18:30:15.113-02:00</updated><title type='text'>Em busca do Castelo de Mirra II</title><content type='html'>E viver é corromper-se ou perder a ingenuidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lembrança impossível, de um passado breve, ainda opaco, vagamente triste. Hoje Soslaio era noite e era nada. Ainda ontem seria esquecimento, e ocaso, como se não houvesse em mim nada que não fosse um sigilo eterno de estátua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra que viver algo que não seja próximo à vida e morrer sem conhecer nada magnífico ou infindável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso mais do que simples lembranças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soslaio tinha que encontrar alguma memória fantástica, maior que o absoluto, que o tempo, que o pecado... arrastar ventos pelas noites afora até sentir os primeiros toques de delicados dedos da Manhã, já maquinando algum tipo de maravilha ou imaginância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não achava isso. Diante do espelho, parecia ver senão um labirinto eterno de vidro e solidão. Não via reflexo do passado, as coisas boas que fez ou sentiu. Não! O que reflete ali não é mais nada senão um impasse de vigília, de carne e paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deteve-se, insistente, E viu surgir um punhado de lembranças futuras. A irrevogável e inevitável memória do porvir, mais pesada que a realidade, tão curta quanto o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memórias do anseio de um não-saber! E que nos arrastam num formidável rio já forjado há tantos e tantos anos. Nesse lugar-rio as palavras engendram o fabuloso e o profético. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soslaio concebeu ali a condição de eterno das memórias, capaz de enternecer as fábulas e profecias. Era o reflexo de seu destino: estar entre o trivial e o sagrado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viu que a lembrança é o não-morrer. O sagrado que foi morar em Soslaio é eterno; não poderia morrer inteiramente. Suas memórias tão vastas como um continente, imagens sem fim, que envergonham ao esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrar... como ler um escrito já pressentido, já repleto de infinito. Soslaio lembrou e escreveu, de forma insistente e delicada. E daquelas enfermidades da sombra da memória erigiu uma espécie indecifrável e encantadora de Deus. E sua lembrança mais terna e mais eterna tinha sempre o mesmo nome: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca Me Esqueças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E viverá de agora em diante assim, numa senda futura já percorrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecer é o pior dos pecados, a forma mais infame de matar alguém. É a sombra da memória, sem tristezas, sem lamentos. Apenas o fim, rude e seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O milagre da memória causa assombro. Até à morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7810709595202306134?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7810709595202306134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7810709595202306134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2011/02/em-busca-do-castelo-de-mirra-ii.html' title='Em busca do Castelo de Mirra II'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3744637061552989352</id><published>2010-10-21T14:52:00.004-02:00</published><updated>2010-10-22T00:52:22.708-02:00</updated><title type='text'>Em busca do Castelo de Mirra</title><content type='html'>Andava sonhando. Tinha nos olhos a foz de um rio, um aguamento só. Mas esses sonhos agora eram outros, de um jeito que já não acontece mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tentou se despedir de algo que pensava ter morrido dentro de si.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Soslaio sabia sim que os sonhos, agora, não são como os de outrora; que teria que aprender sozinho sobre os lugares e os quandos, e os comos corretos, e a andar por eles tentando desenhar um novo caminho. Ainda tentou desfazer, em vão, todos aqueles sonhos de antanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se fosse possível despetalar uma estrela ou de uma flor fantástica que semeara... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia que aquelas estrelas agora brilhavam indiferentes a ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então se despediu e a dor que Soslaio sentiu ainda persiste... e o persegue com um ar quente e vaporoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soslaio partiu em busca de onde os sonhos amadureciam. Ouviu num vento  que em algum lugar perto do Vale dos Anseios encontraria um castelo que não tinha a feiúra uniforme dos prédios que o rodeavam – as palavras ditas sobre esse lugar ficam úmidas e com cheiro de manhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castelo de Mirra era seu nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tal como um ente que sofre de incontinência verbal, Soslaio viu que era feito também da mesma matéria miúda que o Castelo, e de uma matéria miúda só poderia ser composta de puro som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem teria dedos tão delicados capazes de forjar e segurar o som entre as próprias mãos, domando e recriando a música primordial que coroa todas as manhãs? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se vira tanta devoção assim, nem tanto carinho. A dona daquelas mãos que fazem e que curam e que amam olhava de soslaio para ele. Dessa coincidência adorável Soslaio dobrou um pássaro de jade, que partiu voando até o Castelo de Mirra. E pediu ao seu amigo que sussurrasse à semeadora de girassóis e sonhos maduros o único nome que pode ser gravado na saudade de Soslaio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca Me Esqueças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6u_3J_MkrUI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6u_3J_MkrUI?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3744637061552989352?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3744637061552989352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3744637061552989352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2010/10/em-busca-do-castelo-de-mirra.html' title='Em busca do Castelo de Mirra'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1631345815509237836</id><published>2010-06-14T13:54:00.000-03:00</published><updated>2010-06-14T13:55:29.056-03:00</updated><title type='text'>Pequeno manifesto minimalista</title><content type='html'>Não foi preciso muito esforço,&lt;br /&gt;para fazer aquela aurora,&lt;br /&gt;e carrear o sol&lt;br /&gt;na biga divina das palavras &lt;br /&gt;Sua manhã &lt;br /&gt;foi tecer um novo mundo, &lt;br /&gt;com novos dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se foi o prelúdio do inverno,&lt;br /&gt;Ou o silêncio do tempo&lt;br /&gt;passando em vão.&lt;br /&gt;Quem se importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se desço e olho ao redor &lt;br /&gt;e o mundo todo passa, &lt;br /&gt;ausente. &lt;br /&gt;Ninguém sente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lembrança ainda assim tem som, &lt;br /&gt;que ressoa calmamente.&lt;br /&gt;Da moça que olha, quando passa.&lt;br /&gt;Passa como o tempo, &lt;br /&gt;como o vento.&lt;br /&gt;E sai e gela...&lt;br /&gt;Meu mundo cala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se olha&lt;br /&gt;tão bonito assim,&lt;br /&gt;olha também pra mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/JuddXtAvoZg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/JuddXtAvoZg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1631345815509237836?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1631345815509237836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1631345815509237836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2010/06/pequeno-manifesto-minimalista.html' title='Pequeno manifesto minimalista'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7406391414354449139</id><published>2010-06-08T15:58:00.003-03:00</published><updated>2010-06-08T16:03:35.085-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XXIV</title><content type='html'>&lt;em&gt;De quando poetinha descobriu que Açucena começara a andar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por qual motivo escrevo. Não é por louros, ou por louvores ou pelo gozo sem sentido de um lirismo egoísta qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um semeador, não sei ser poeta. Só o fui poucas vezes, quando fui outro, que não enjaulado em mim. No mais, fui me criando e recriando, fugindo das masmorras do “Castelo do próprio eu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sei por que escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não precisou falar nada, ou de qualquer literatura. E já me toma e doma assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes ela passa por aqui, saindo da sala contígua a esta. É tão diferente das outras, parece ter mais vida dentro do canto do olho do que muitas não têm no corpo inteiro. Quando ela sai, tal como um segundo movimento de um concerto, deixa pra trás aquele rastro de melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o vazio sabe que ela fará falta. Ela já saiu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que instante perpétuo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai e olha, com aquele mesmo cantinho de olho. Posso não ser poeta, mas vou morrer achando que aquele olhar é para mim. E será que ela me vê desse jeito tão absorto e rendido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela anda como ressoa um poema provençal. Doce, despreocupado, quase indolente. E como não cair, num impulso de delírio, diante do jeito que ela tem de andar, arrastando os pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu e ainda não voltou. Instante perpétuo que tem cheiro de saudade. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso num punhado de estrelas e lá escondo o olhar dela que foi meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou, andando devagar, sem saber que já anda pelos corredores das minhas intenções, mesmo sem o meu consentimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7406391414354449139?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7406391414354449139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7406391414354449139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2010/06/teogonia-xxiv.html' title='Teogonia XXIV'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-9166255576091774891</id><published>2010-04-09T15:57:00.002-03:00</published><updated>2010-04-13T13:56:36.734-03:00</updated><title type='text'>Liturgias III</title><content type='html'>Certa noite, quando muito chovia, Amauta teve um sonho, que nem era tão sonho assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava em meio à neblina, enquanto ia por um caminho rente a uma grande parede, beirando um mar revolto e cinzento. Subindo e subindo, cada vez mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram tantas pedras que mal podia contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem verdade que poetinhas, sonhadores, estão acostumados a essas longas travessias. Também é verdade que essas jornadas não servem para nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não prestam a conquistar ou descobrir lugares, nem caminhos. Porque só podemos conhecer aqueles caminhos que já são nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa jornada dilatada, Amauta ouviu um choro, um choro de menina. Chorar a lágrima viva, dom do Alívio. E só o alívio o guiaria na hora da aflição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha então para o alto. Brilham as Três Marias. Abraçado aos vazios de seu coração, Amauta sabe que só quem o guiaria seria das Três, a Segunda Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora então ele podia compreender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guiado pela menina-estrela, aquele caminho o levaria até a luz, longe de sombras e ausência e desolação. Um lugar de importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do sonho à poesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-9166255576091774891?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/9166255576091774891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/9166255576091774891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2010/04/liturgias-iii.html' title='Liturgias III'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6827681175395953130</id><published>2010-03-19T14:27:00.001-03:00</published><updated>2010-03-19T14:29:25.624-03:00</updated><title type='text'>Lendas pärtianas IV</title><content type='html'>Spiegel im spiegel, a lenda da anatomia do espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estiagem... Entre aquele céu que fora forjado pelo Amauta e a cama de poeira de estrelas que fizera para Açucena, deitou uma nuvem densa e fria de silêncio. Essa nuvem, essa peste fazia do jardim um labirinto rude e agreste. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias passavam, em branco, mostrando uma audácia em não querer ser nada. E foi quando o Amauta, diante do pasmo de não-ser, conheceu a desmemoria, como se estivesse diante de uma parede que em vão espera uma pintura que jamais será feita, sentenciado ao castigo da ausência de viver sem palavras num mundo repleto de mesmices e falta de idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preso no labirinto que habitava dentro de si, girassóis murchavam, Lua deixava de ser Lua para ser um astro desimportante qualquer pregado no céu que não via mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a poesia jamais caduca, Amauta sabe: um silêncio desses não pode ser tão invulnerável, porque nem mesmo o passado é tão irrevogável assim... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um casual desejo e o vazio do esquecimento de não-dizer, viu que não estava aprisionado num labirinto infinito, mas diante de um Espelho, o Clérigo de Vidro, que fazia da serenidade sua espada, exortando do mundo ao redor tudo aquilo que não é. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha o olhar e a voz feitos de uma implacável verdade, como qualquer verdade deve ser, eterna e irredutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única verdade que Amauta trazia dentro de si era Açucena. E foi por causa dela que pode enfrentar aquele colosso do silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o espelho, na sua língua árida e tão corajosa de dizer verdades, em todo esplendor do seu sacerdócio, dialeto estertor de certezas e asperezas, é apenas um profeta feito de areia e esquecimento. No seu Evangelho sem tempo ou palavras, esquecer é vingar e perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca saberá qual falácia é maior: viver ou morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QtFPdBUl7XQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/QtFPdBUl7XQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6827681175395953130?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6827681175395953130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6827681175395953130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2010/03/lendas-partianas-iv.html' title='Lendas pärtianas IV'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7059308259285412476</id><published>2010-03-16T00:35:00.002-03:00</published><updated>2010-03-16T00:40:36.269-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XXIII</title><content type='html'>Da anatomia de um espelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reflete, repete &lt;br /&gt;e repete e reflete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E faz verso&lt;br /&gt;no inverso &lt;br /&gt;do reverso&lt;br /&gt;do mundo &lt;br /&gt;que suplica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duplica, duplica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tudo que olha &lt;br /&gt;reverbera. Nasce&lt;br /&gt;outra vez mais&lt;br /&gt;um mundo que gera &lt;br /&gt;do teu olhar sagaz!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Copia, recria &lt;br /&gt;e encarcera &lt;br /&gt;a anatomia &lt;br /&gt;do espaço&lt;br /&gt;que nem liga &lt;br /&gt;de se curvar&lt;br /&gt;ante teu jugo &lt;br /&gt;de fera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria fuga, limite? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Ninguém &lt;br /&gt;escapará de ti&lt;br /&gt;um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a agonia &lt;br /&gt;dessa pequena elegia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7059308259285412476?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7059308259285412476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7059308259285412476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2010/03/teogonia-xxiii.html' title='Teogonia XXIII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3183001322839076019</id><published>2010-01-17T02:49:00.002-02:00</published><updated>2010-01-17T03:08:20.873-02:00</updated><title type='text'>Teogonia XXII</title><content type='html'>Da forma que a agonia tomou a saudade e ficou envergonhada quando viu que saudade que foi morar no longe querido era feita de tanto carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia frio, o peito vazio&lt;br /&gt;procurando em algum lugar&lt;br /&gt;paz qualquer que fosse.&lt;br /&gt;De tudo que quero mais, &lt;br /&gt;só me vale o que você faz.&lt;br /&gt;Mas não encontro, não encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perderam-se ali? Nos jogos &lt;br /&gt;que as luzes faziam&lt;br /&gt;naquele ninho que você fez &lt;br /&gt;que era o meu abraço? &lt;br /&gt;Não encontro, não sei onde, &lt;br /&gt;e não encontro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem prestavas atenção&lt;br /&gt;e eu já era também paisagem. &lt;br /&gt;Esqueço do mundo, &lt;br /&gt;me sorvi nele.&lt;br /&gt;As palavras que não encontro:&lt;br /&gt;me roubaram? Cuidado, cuidado. &lt;br /&gt;Estão lá, nos olhos dela, &lt;br /&gt;tal como a estrelas&lt;br /&gt;que a luz mundo foram roubar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que as encontro &lt;br /&gt;vagando pela madrugada? &lt;br /&gt;Em algum suspiro de namorada,&lt;br /&gt;sonhando sob a luz da lua,&lt;br /&gt;esperando o telefone tocar? &lt;br /&gt;Essa mesma luz, roubada.&lt;br /&gt;Do olhar da moça &lt;br /&gt;que se aninha e poetinha diz &lt;br /&gt;o que só cabe&lt;br /&gt;ao seu nome:&lt;br /&gt;fica, fica!&lt;br /&gt;Ainda não encontro, não encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quantas agonias devem caber numa saudade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculho a mente, debulho palavras&lt;br /&gt;que caem de suas bagas &lt;br /&gt;pelo vento da madrugada &lt;br /&gt;da moça enamorada &lt;br /&gt;que eu queria pra mim. &lt;br /&gt;E eu não encontro, nem assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o fardo do lunfardo, Bernardo!&lt;br /&gt;Êxtase, agonia, a dúvida&lt;br /&gt;de que chegue logo&lt;br /&gt;o outro dia.&lt;br /&gt;Olhos em fornalha,&lt;br /&gt;e de onde desce a lágrima&lt;br /&gt;escura, quase inválida&lt;br /&gt;de um Quixote vencido,&lt;br /&gt;prostrado de saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontro, é verdade!&lt;br /&gt;Das bagas &lt;br /&gt;as palavras se esvaíram, &lt;br /&gt;singrando por aí, &lt;br /&gt;no vento úmido e morno &lt;br /&gt;e azul marinho da madrugada.&lt;br /&gt; Saudade não terá mais fim? &lt;br /&gt;A reposta não encontro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera, espera!&lt;br /&gt;Umazinha ficou presa &lt;br /&gt;no orvalho que do teu nome desce &lt;br /&gt;– e digo pra ele rimar: fica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa palavra tinha um gosto de sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento trouxe um cheiro de mirra, &lt;br /&gt;quase o mesmo cheiro de flor &lt;br /&gt;que desceu do céu, &lt;br /&gt;quando era tanto o carinho &lt;br /&gt;que fez do abraço ninho&lt;br /&gt;e que se agarrou insistentemente&lt;br /&gt;na saudade do poetinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, é verdade!&lt;br /&gt;E foi quando soube &lt;br /&gt;que aquele cheiro bom de flor &lt;br /&gt;vinha do mesmo carinho &lt;br /&gt;da moça do ninho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que pude amar tanto só o que vem sua mão assim? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IFPRZu8ZYt4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/IFPRZu8ZYt4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3183001322839076019?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3183001322839076019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3183001322839076019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2010/01/teogonia-xxii.html' title='Teogonia XXII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4854916814470709968</id><published>2009-12-23T23:00:00.003-02:00</published><updated>2009-12-24T00:09:19.522-02:00</updated><title type='text'>Teogonia XXI</title><content type='html'>Cantilena de Natal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no saturnal dezembro, quando o sol não era apenas irreconciliável, mas se fazia inclemente. Sem qualquer triunfo de pássaros ou de nuvens. Não, só o titã azul e invencível. O céu poderia ter, dentre tantos significados, algum tão cruel assim? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era preciso um abrigo para escapar da sanha do céu. Esse lugar só poderia habitar o longe querido, porque é no longe querido que moram todas as saudades que existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse abrigo precisava de um lugar bonito, como o cimo de um outeiro: onde de lá do alto se vê o vento que beija o gramado das montanhas, e lá atrás a estrada, por onde passa o tempo inaudível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também de lá de cima veria algum deus menino, indolente e peregrino, poderoso como quem tem a pretensão de dar cambalhotas para poder engendrar uma gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No forjar do seu oratório, poetinha não fez caber qualquer santidade. Porque o seu oratório fora feito para a fé que mora dentro de um olhar castanho e bem desenhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fé saturnal do poetinha foi que todos aqueles que tivessem um longe querido pra saudade morar pudessem ter o mesmo oratório, o mesmo olhar castanho tão vivo como um menino brincando de cosmonauta no costado mais macio do outeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetinha sentiu que isso era bom, e que essa fé ainda será, dentre todas, a sua melhor invenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1iMpuBLThg0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1iMpuBLThg0&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4854916814470709968?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4854916814470709968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4854916814470709968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/12/teogonia-xxi.html' title='Teogonia XXI'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4584112709654787387</id><published>2009-12-11T03:21:00.004-02:00</published><updated>2010-01-05T15:14:01.001-02:00</updated><title type='text'>Teogonia XX</title><content type='html'>Das pretensões que a vida engendra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se soube de pretensões maiores do que a chuva, ou um inseto qualquer. Amauta só foi conhecer o que era uma pretensão quando ela passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo só seria senão o amanhecer de um mundo novo. E nem se importou quando fora desdenhado pelas carícias que brotam do chão por onde ela passou. É nisso que se detém. Nisso e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ausência de comédia nas tragédias da vida e do mundo não lhe causava mais assombro. Tudo passava a ser tão... tão desimportante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lágrimas e submissões e homens autômatos não assombravam mais do que uma folha desbotada ou um grão qualquer que compõe uma rocha qualquer. Todo o mais teria apenas o mesmo ar austero e escuro como chumbo, sem a pretensão do morno dos seus passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito um largo adágio de um novo mundo quando ela passou. O mundo era isso, apenas isso e não outra coisa mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amauta tinha Certeza que sem aqueles pés as cores abandonariam as flores, que o resto do mundo seria preto, branco e cinza, sem muita graça. Tudo por causa da moça que passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa pretensão tamanha, filha do acaso e da audácia, foi simplesmente resistir a tudo. Tudo menos à moça que passa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E perceber a condição sem igual de se estar apaixonado deveras, ao ponto de querer que até mesmo o chão pertença àquilo que cabe no “seu e no meu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque Amauta sabe que foi ali que se aniquilou todo o grotesco do mundo. Foi quando ela passou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que foi preciso ela passar para Amauta ver e sentir que o mundo era absurdamente melhor quando ela ainda estava por lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4584112709654787387?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4584112709654787387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4584112709654787387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/12/teogonia-xx.html' title='Teogonia XX'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3909126928500431760</id><published>2009-11-18T15:36:00.003-02:00</published><updated>2009-11-18T16:39:52.896-02:00</updated><title type='text'>Lendas pärtianas III</title><content type='html'>Sanctus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do encontro de poetinha com a lua do seu céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua brilhava. Fazia do céu de novembro, escancaradamente quente, que era só dele apenas, um manto de retalhos costurado com uma linha tênue de esperança e ansiedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda acho que essa ansiedade não deveria ter a pretensão de existir... Então, mesmo assim, poetinha tomou a infinita decisão de ser todos, e elegeu para si mesmo aquele céu como bandeira de seu estado de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estava no jardim das Açucenas disse que a própria beijou suas mãos e olhou pra ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela hora poetinha estava cheio de erva-de-passarinho na sua garganta. Porque ele não pode falar, ficou vermelho, encabulado. Talvez pudesse assoviar, mas não tentou. Até seu olhar era gorjeio! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade era apenas dizer a mesma coisa para a lua que beijou sua mão: “eu também te amo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos já o fizeram. Por que agora então ele viveu no mundo da lua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PIbwtzw8A7A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PIbwtzw8A7A&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3909126928500431760?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3909126928500431760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3909126928500431760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/11/lendas-partianas-iii.html' title='Lendas pärtianas III'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4290942172137716016</id><published>2009-11-06T02:07:00.004-02:00</published><updated>2009-12-12T16:13:24.764-02:00</updated><title type='text'>Liturgias II</title><content type='html'>Primeiro Sermão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje poetinha possui a origem de todos os poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não lhes direi aqui para buscar num Além duvidoso. Não, não é justo, é desumano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, hoje poetinha possui a origem de todos os poemas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não há tamanha tirania do que um divino que escapa até mesmo os sonhos mais doces e profundos. E de que valeria o céu inteiro se os sonhos forem sepultados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A troco de quais misérias triviais os sonhos foram sepultados? E que se ergam seus muros infindáveis e infames, a dividir o mundo. Não adianta mesmo, não dividirão seus sonhos: poetinha possui, hoje a origem de todos os poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que possuam tudo, milhares de sóis não lhes servirão a destroçar os sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje poetinha possui a origem de todos os poemas, porque o pão que é corpo é feito de farinha de estrelas, aquelas mesmas que semeiam estradas inteiras, e caminhos, e sonhos e delas brotam os sumos do céu a toda manhã... origem de todos os poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque os muros e sóis não contém o outro lado. Do lado de lá, onde o sonho habita sorrindo, como uma criança segurando uma margarida, ou um balão que é um gesto de carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje poetinha possui a origem de todos os poemas, exatamente porque tem a Lua como par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_l81UXB84mk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_l81UXB84mk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4290942172137716016?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4290942172137716016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4290942172137716016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/11/liturgias-ii.html' title='Liturgias II'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1461522135680046400</id><published>2009-10-26T21:12:00.002-02:00</published><updated>2009-10-26T21:25:47.230-02:00</updated><title type='text'>Lendas Pärtianas II</title><content type='html'>Magnificat&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje só um homem nasceu no mundo.&lt;br /&gt;E foi o único a ver o amanhecer,&lt;br /&gt;sabendo que já nascera com eras de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eras de um passado turvo e desconhecido,&lt;br /&gt;das glórias e guerras de antanho&lt;br /&gt;que trouxeram a modernidade, &lt;br /&gt;um progresso ensimesmado&lt;br /&gt;na fúria, na usura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje só um homem olhou ao redor de si&lt;br /&gt;e alguma palavra lhe escapou à boca&lt;br /&gt;sem que a soubesse pronunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também hoje, esse mesmo homem &lt;br /&gt;que nasceu solitário, e mudo, &lt;br /&gt;entre tantos iguais,&lt;br /&gt;sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ele nasceu hoje, &lt;br /&gt;já grisalho e cansado,&lt;br /&gt;do mundo que deixou de ter um chão&lt;br /&gt;que deixou de ter um céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o homem nascia velho,&lt;br /&gt;preso nos grilhões de ferro&lt;br /&gt;e vidro e fumaça e pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem nasce hoje, só ele,&lt;br /&gt;num mundo que não é mais seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje só um homem nasceu, &lt;br /&gt;sabendo que nem vive mais &lt;br /&gt;e nasce - e morre.&lt;br /&gt;E hoje foi só um homem que morreu,&lt;br /&gt;quando acordou e se encarou&lt;br /&gt;no espelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz de conta que esse homem&lt;br /&gt;também não era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TbxnnC22gwY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/TbxnnC22gwY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1461522135680046400?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1461522135680046400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1461522135680046400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/10/lendas-partianas-ii.html' title='Lendas Pärtianas II'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6959803269810088576</id><published>2009-10-22T14:54:00.001-02:00</published><updated>2009-10-22T14:57:12.748-02:00</updated><title type='text'>Lendas Pärtianas</title><content type='html'>&lt;em&gt;De profundis&lt;/em&gt;, ou &lt;em&gt;de onde veio o amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu na margem perto da foz de um rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carreio do sol estava até bem perto do ocaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um andante festivo regido por algum um maestro armando prazeres, de algum ponto mais bonito pro alto do universo. Foi o que se ouviu naquele instante, pra bem além daquele horizonte plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E poetinha, da ponte já tomada e domada de descuidado, pensou que até mesmo um sol precisaria daquelas mãos feitas pela aurora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu que naquilo tudo todas as cores da sinfonia da tarde. Era dourado, e prateado, e cor de doce de leite, tinha cor de bronze até que a margem esquerda do rio foi ficando escura, e brilhava cada vez mais. Mais que o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não brilhava mais que o olhar que se apoiava delicada e cuidadosamente na palma daquelas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, poetinha então, como ente que penteia palavras, tirou do seu bolso um pente pequeno, com três dentes apenas, e danou a pentear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque poetinha adorava as mãos e a dona das mãos. E penteou o adoro, e penteou e penteou, até sair a dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetinha achou por bem deixar o pente ali, no lugar da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/dk8JhFFkPtE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/dk8JhFFkPtE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6959803269810088576?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6959803269810088576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6959803269810088576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/10/lendas-partianas.html' title='Lendas Pärtianas'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6355990425161185394</id><published>2009-10-19T16:35:00.001-02:00</published><updated>2009-10-19T16:38:56.565-02:00</updated><title type='text'>Teogonia XIX</title><content type='html'>Prelúdio do amanhecer*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não era Orfeu tocando naquela madrugada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o som que se ouvia por todo prédio era a mesma que fazia a dança de espíritos abençoados, aquela dança que fazem ao redor do carreio do Sol. E de onde mais poderia sair aquela sinfonia dos orvalhos senão de um som de carreio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que fazia os espíritos abençoados dançarem era mais, bem mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele som não era eterno, como o mármore. Porque o eterno é gelado, precisa de calor pra ganhar vida. Aquela canção era infinita como um bosque, um rio, um jardim de Açucena que se bifurca em milhares de sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar dessa canção não é como falar da chuva, da saudade do Coronel, dessas coisas que invariavelmente habitam no passado. Nem se muito quisessem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que Amauta ouviu essa canção, sabia que se tornara prisioneiro dela, assim como o cantador de histórias se tornara prisioneiro da capitã do mato. E nem se importou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa canção tinha vida, tinha um jeito de olhar, de entortar a boca e o horizonte. Tinha jeito de prender o cabelo, até jeito de sorrir por causa da menina e seu cavalo. Feita de saudade e auspícios, que era mais que eterno, mais que infinito. E foi ouvindo aquela canção que ele andou pelo espelho que refletia seu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o chão estava coberto de açucenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* peça para se ler ao som de Gluck&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6355990425161185394?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6355990425161185394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6355990425161185394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/10/teogonia-xix.html' title='Teogonia XIX'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-8274738889712380779</id><published>2009-09-05T13:34:00.005-03:00</published><updated>2009-09-05T13:44:07.566-03:00</updated><title type='text'>Liturgias</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Primeira Oração&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Dom Quixote, nosso Senhor, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;semeador entre semeadores,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;rogai por nós, poetas e sonhadores.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Em nossos sonhos e na hora &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;sublime de nossa aurora.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;E acaso no ocaso do descaso,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Engenhoso Fidalgo, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;faz da Tua palavra, forte e imbatível&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;tal como lança em punho,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;canção, o elmo prateado de sonho,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;de ilusão,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Faz então, rogo, Amauta Pai,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;cada som e cada verso&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;serem, absolutamente,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;a batida de um só coração.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-8274738889712380779?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8274738889712380779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8274738889712380779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/09/liturgias.html' title='Liturgias'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4385296725214527221</id><published>2009-08-27T18:54:00.001-03:00</published><updated>2009-08-27T19:00:26.565-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XVIII</title><content type='html'>De quando os caminhos foram semeados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi desses momentos, quando na vida a coisa aperta, fica tudo louco e chato e sem graça. E aquele menino, com cacoete de poeta, que passava aturdido e apressado, estava vestido com aquela roupa de ferro que os poetas vestem, preso às almas inquietas de suas próprias palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade ele estava diante de si, de sua própria esfinge interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa esfinge colocava sobre ele seu olhar de ave de rapina, predadora de gentes e almas. A ela nada escapava, nem mesmo o esquecimento, nem a morte – e que morte pior que não ser esquecido?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que sob os olhos de sua própria esfinge, o seu olhar se pôs diante do mundo como o silêncio cai sobre a noite. Esse silêncio não era nada perene ou sereno, mas atordoava e acuava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetinha que via tudo, disse a ele que havia uma solução. Na verdade ele precisava de abraço, de alguém que por ele tivesse muito amor. Aliás, poetinha sabe que o amor vem daí, dessa vontade louca de se estar nos braços, mesmo quando nunca se esteve dentro desse abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– E pode haver algo assim, poetinha? Existe “abraço em potencial”?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetinha então falou baixinho, sobre Certeza. Que nas palmas das mãos dela ele deixara cair tudo que ele tinha de bom. Seu açúcar, seu afeto, até mesmo aquelas gotas de melancolia que deixam a gente triste, meio calado, e que hoje ele não se sentia mais assim, porque nas mãos dela, de sua Certeza ele se sentia amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino ficou admirado de ver como os olhos de poetinha ficavam quando falava das mãos dela, e pensou que aquele deveria ser um amor que não cabia nem dentro das suas palavras de lira e de luar. Mas, irrequieto e curioso, mesmo diante de uma imagem tão bonita, pediu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Poetinha, não foge, sê linear, e o abraço?!?!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o abraço, o abraço... Poetinha sorriu, um tanto quanto enigmático. Perguntando ao menino se do abraço sentia saudade. O menino sabia que sim; poetinha também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E poetinha então falou que ele compreenderia a existência de um abraço assim mesmo sem ter tido, sem ter sido abraçado, quando encontrasse o caminho que fizesse a saudade ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um caminho assim só pode haver quando semeado. E aí falou, por fim, ao menino de olhar vivo e inquieto que ele precisaria encontrar sua Certeza, e que depois disso, até nesse mundo amargo, onde tudo é rígido e rude, o caminho semeado sempre seria largo e calmo e florido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que nesse dia chovia, e depois disso pela chuva poetinha se apaixonou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4385296725214527221?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4385296725214527221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4385296725214527221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/08/teogonia-xviii.html' title='Teogonia XVIII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1703396400311966312</id><published>2009-08-21T13:44:00.005-03:00</published><updated>2009-08-21T23:27:25.889-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XVII</title><content type='html'>Faz pouco mais de um mês, só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o inverno veio. E poetinha quis ser mais humano. Nesse tempo conheceu tanta dor, tanta tristeza aconteceu. Poetinha viu o Suplício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque soube que o mundo perdeu, de todos as suas gentes, aquele que mais gostava de gente. Ele só queria conhecer o mundo da gente que sofre, que não tem onde dormir nem o que comer, que é aquela que faz da gente que não tem fome não dormir, com medo daqueles que tem fome. Sentia e sofria com ela. Só que ele também sabia sorrir com ela, e levava sorriso pra essa gente doída do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mundo não ficou mais triste não. Porque daquele sorriso, tão grande, tão humano, que vai ficar só saudade, poetinha saber que em alguma montanha nesse universo, ele estará lá, e vai fazer sorrir o bom Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetinha tem visto o Suplício, a agonia de quem não perdoa. E viu que não praticar o perdão é tão ruim para a humanidade como uma mulher que chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Suplício do Coronel, homem colossal e forte e rude, mas de coração imenso, que mesmo sem forças murmurou aos seus ouvidos a sina da dor de Agamenon - porque ele por fim compreendeu que chegado estava à quadra senil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inverno dos Suplícios e lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que poetinha já tinha Certeza dos caminhos para aquecer e amenizar seu olhar. Certeza, morninho essencial, que ensinou a poetinha todas as formas de traduzir os dialetos que o som da chuva lhe dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esse mesmo dialeto da chuva que poetinha aprendeu Certeza. E poetinha aprendeu a amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1703396400311966312?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1703396400311966312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1703396400311966312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/08/teogonia-xvii.html' title='Teogonia XVII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2363991925034703271</id><published>2009-07-30T17:50:00.008-03:00</published><updated>2009-07-31T00:29:48.728-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XVI</title><content type='html'>De quando nasceu a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito tempo poetinha foi incansável no estudo das caligrafias do mundo. Porque foi semeando e semeando que pode compreender suas formas, cores, aromas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim percebeu que a vida não era nada muito diferente do que escrever incessantemente um poema, que nunca teria um fim. A última coisa que um poeta aprende, então, é morrer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tempos para cá, por conta disso, poetinha ficava cada vez mais calado e amuado. &lt;em&gt;Como posso deixar um jardim de girassóis e Açucena se nada fica, se nada é, mas apenas tudo está e a todo instante não está&lt;/em&gt; &lt;em&gt;mais?&lt;/em&gt; Ele viu, triste, tristemente, que desse jeito nada seria certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetinha então se isolou, por dias e dias, e percorreu os caminhos do seu jardim, pelas ruas cheias de gente e prédios e casas e carros. O mundo que passava diante de seus olhos e suas palavras. E como será que esse mundo poderia apenas estar e estar e estar, sem nunca ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo na vida e no mundo seria e não seria, então, como um velho rio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desses paradoxos que fazem a vida que um dia poetinha encontra um por seus caminhos. Aliás, de todos eles, maior não poderia ter sido criado. Porque, se nada nunca pode ser, como terá existido, um dia, alguma certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi poetinha, num dia de inverno, quem presenciou seu nascimento. Foram precisos cerca de 13 dias para ver brotar a Certeza Primordial. Por que estando certo do que sentia, aí sim seria possível escrever, semear, criar, e assim amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi preciso encontrar Certeza para então semear seu jardim para Açucena. Porque foi Certeza que o fez encontrar novamente a vida perdida na vida. Certeza o fez andar contra a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse punhado de dias onde brotou Certeza, poetinha entendeu que pode mesmo existir ato mais nobre que o ato de amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2363991925034703271?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2363991925034703271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2363991925034703271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/07/teogonia-xvi.html' title='Teogonia XVI'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3697039146829706921</id><published>2009-07-22T04:20:00.000-03:00</published><updated>2009-07-22T04:21:10.942-03:00</updated><title type='text'>Da estranha forma de como o cantador de histórias se enamorou pela capitã do mato.</title><content type='html'>Há muitos e muitos anos, num tempo aonde as moças iam de luva para as missas e os homens puxavam a cadeira e se levantavam em respeito às suas mulheres. Um tempo quando palavra e alma moravam ainda na mesma tapera, lá pelos lados das Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam os antigos daquelas bandas que certa vez, num inverno que fazia das noites mais negras que a semente do guaraná, apareceu pelas terras um cantador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabia ao certo de onde vinha. Uns diziam ser um cigano. As carolas juravam que era um cristão novo. Outros juravam que poderia ser um turco ou libanês, ou qualquer outro ismaelita que tentava conviver entre os verdadeiros filhos de Cristo. Os menos fervorosos diziam que ele podia ser profeta, ou simplesmente um louco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele cantador tinha um dom. Que o digam as moças dos vilarejos das redondezas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era como aqueles menestréis britânicos ou aqueles bardos franceses que cantavam odes às más damas que os domavam. Nem cantava glórias de um povo qualquer, ou de algum rei ou imperador. Mas ele sabia cantar e encantar o mundo ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas feições, distintas do povo do lugar, se juntavam à sua voz, que ninguém sabia dizer se era de menino ou de homem. Nem mesmo cantava lá tão bem. Aprendera a escolher e cuidar muito bem de cada palavra do seu canto, e vez ou outra acompanhava com algum instrumento de sopro ou de corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantava aquilo que mesmo aqueles pacatos homens e mulheres mal percebiam. Era o jeito que a moça tinha de olhar. O cheiro de biscoito e sujeira das crianças que saíam do liceu, o cheiro do ar quando vinha chuva que os passarinhos traziam na sua algazarra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha aprendido uma maneira de fazer brotar a vida que ninguém mais percebia. Semeava algo entre um amanhecer e uma esperança. Que curioso era quando ia para a praça e as moças vinham, com ares de hipnotizadas, vê-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tudo tão diferente, tão novo e encantador, para ciúme dos rapazes do lugar. Só que ele não se importava. Continuava sua vida errante, a cantar o mundo ao redor, e contar seu canto na forma de história, de palavra e de som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, ele aprendera com um cachorro gordo e branco o segredo de conhecer o cheiro de tudo que há por aí. Sabia cheiro de planta, de comida, de gente. E aprendeu a encher o som de cheiro. Sua poesia tinha mais que ritmo, tinha aromas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi lá praqueles lados que ele pela primeira vez não soube usar palavras. Ele a viu, séria, dona de si, da ordem, feroz, altiva. Era a capitã do mato, a delegada, a juíza. O que ela tinha no jeito de falar ninguém sabe, mas o caos temia e se envergonhava perto da voz dela. Tudo emanava ordem, sobriedade. E tanto era o respeito que tinham por ela que nunca naquelas redondezas ninguém jamais fora preso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o cantador, calado, foi o primeiro a perceber que para além da fortaleza de mulher, lá na torre mais alta, vivia a princesa, com mãos delicadas, olhar terno, que o mais singelo sorriso aqueceria o coração mais embrutecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os antigos dizem que aquela foi a primeira prisão, de verdade, daquela delegada. E nem era culpado o prisioneiro, mas era vítima. A moça-fortaleza mostrou àquele que era dentre todos os que andam por essa terra o que morava por detrás daqueles muros. E o encantador se viu encantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que a única prisão que é perpétua é aquela que não tem grades nem paredes. E foi justamente assim que a capitã do mato prendeu, com o jeito de olhar que ela tinha, o coração do cantador, e nunca mais o soltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que eles foram felizes para sempre?!?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3697039146829706921?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3697039146829706921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3697039146829706921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/07/da-estranha-forma-de-como-o-cantador-de.html' title='Da estranha forma de como o cantador de histórias se enamorou pela capitã do mato.'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3813916540192767690</id><published>2009-06-24T14:42:00.002-03:00</published><updated>2009-06-24T15:22:29.988-03:00</updated><title type='text'>O silêncio do chamamés</title><content type='html'>Certa vez poetinha ouviu um violeiro contando num chamamés que era seguindo o rastro da lua o melhor jeito de se chegar, não importava onde. É Lua que faz, desfaz, leva, traz. A mesma Lua que de tão cheia e nua, poetinha se vestiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas numa certa noite fria e escura, de um azul quase preto, Açucena fez calar todo encanto do chamamés, nesses momentos que ficam na saudade que nem o cheiro de caju ou cheiro de chuva ficam grudados na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calou o chamamés, e fez poetinha compreender o horizonte que mora dentro do olhar, porque dentro daqueles olhos de menina, Açucena fez a Lua querer deitar seu rastro e sua sombra, tanto que ninguém entendeu porque o mar, naquele dia, não refletia mais a Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo porque nesse dia, o rastro da Lua foi querer morar no único que era mais bonito que todo o céu. E foi por ele que poetinha chegou ao jeito de olhar que Açucena tem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3813916540192767690?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3813916540192767690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3813916540192767690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/06/o-silencio-do-chamames.html' title='O silêncio do chamamés'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-8352422384585317216</id><published>2009-05-28T15:09:00.002-03:00</published><updated>2009-05-28T15:10:47.786-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XV</title><content type='html'>De quando Amauta aprendeu novas formas de semear Açucenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não sabia que você estava lá. Cheguei apressado, esbaforido, queria logo ver tua mãe, que tanta saudade deixa. Não foi preciso ninguém falar de ti, e, tudo meio sem querer, como a vida gosta de ser, eu te conheci, pequenina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E bastou. Você ainda não veio ao mundo, pequeno anjinho, mas já soube me calar! E todos pensaram que alguma coisa me fazia triste. Será que eu fiz cara de quem queria chorar? Por que essa era minha vontade, mas me segurei. E olha, não foi fácil não. Tenho um fraco quanto às coisas pequenas. Gente miúda então, não deixa os olhos esconderem nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez demore muito tempo para um reencontro nosso. Você não vai se lembrar desse primeiro, que eu nunca vou me esquecer. Provável que eu não veja quando da tua visão primeva perceber que, dentre os filhos de Baldur, aí no topo do mundo, você teve a dádiva de ser filho da rainha das cores, dos candores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez saber que ainda se pode amar de forma instantânea, incondicional. Agora me diz: como foi que você me comoveu tanto assim?&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-8352422384585317216?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8352422384585317216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8352422384585317216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/05/teogonia-xv.html' title='Teogonia XV'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2072802266537835704</id><published>2009-05-03T23:57:00.001-03:00</published><updated>2009-05-04T00:01:23.769-03:00</updated><title type='text'>Futuras memórias</title><content type='html'>Vi o tempo esfacelar o seu imenso mar de memórias. Não terei talvez mais triste lembrança na vida. Ninguém teria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero também ter netos, para cantar algum lamurio de matuto na cadeia, chorando pela malvada de fita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das tantas manias engraçadas, suas paranóias e esquisitices, essas que toda família reclama só porque você sempre repete. Nenhum deles se lembrará do seu cacoete de poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse cacoete é a minha herança atávica mais preciosa. Porque com ele que eu pude perceber que Açucena brota quando se descobre quem cabe no teu abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou me lembrar com um aperto imenso do modo que seus olhos esverdeados foram se acinzentando, ficando pequeninos. Mas também da esperança que ainda morou no teu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que dói tanto lembrar do dia que o mundo ainda vai te perder?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2072802266537835704?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2072802266537835704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2072802266537835704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/05/futuras-memorias.html' title='Futuras memórias'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4545037270010784945</id><published>2009-04-13T08:56:00.005-03:00</published><updated>2009-04-22T23:22:20.718-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XIV</title><content type='html'>Da origem dos paradoxos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja preciso mais de anos para compreender a origem das identidades em comum entre aquela humanidade louca, inumana, que circula pelos jardins do eu primordial. Quantos de mim, de nós, morreram nessa busca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mártires matam a si mesmos, por conta de um sentimento, muitas vezes, pueril. Mas é só um Amauta capaz de dar amor ao amor, sede pela sede - nem mesmo um santo faz tal coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soa tão paradoxal... E por acaso há mais paradoxo aí do que nas outras coisas? Vejam os feios de bela voz, os escultores de mãos feias. O amor!!! Ah, sentimento ímpar, que só funciona se for em par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não houve mais paradoxo do que um homem, coberto de abandono, no meio de uma praça tão movimentada. As tantas pessoas que passavam não o viam. Ninguém o via. Quando cobrimos alguém de abandono, só vemos a indiferença. E que paradoxo cruel é quando vemos apenas o não ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as rolinhas comiam migalhas ao redor dele. Uma estava na palma da sua mão. Não pude dizer se ela só comia, se ela queria ele para ninho, ou se até ela o via como migalha, como os que passavam na praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, esses paradoxos podem doer tanto, mas não posso julgá-los. Não sou nenhum tipo de deus para julgar. Nem para perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, há o paradoxo que nem mesmo toda Criação é capaz de explicar: por que eu gosto tanto do jeito que ela prende o cabelo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4545037270010784945?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4545037270010784945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4545037270010784945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/04/teogonia-xiv.html' title='Teogonia XIV'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7666055385453882839</id><published>2009-04-06T01:34:00.002-03:00</published><updated>2009-04-06T01:38:31.072-03:00</updated><title type='text'>Pequeno exercício de tradução</title><content type='html'>O tempo é impaciente, é apressado.&lt;br /&gt;Ouço o dobrar dos sinos de cobre da paixão,&lt;br /&gt;e vejo maravilhosos olhos, teu queixo delicado!&lt;br /&gt;Mas o tempo te levou para outra mão.*&lt;br /&gt;(de Henrik Visnapuu. "Carpe diem")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Aeg kärsik on, aeg otsa saab.&lt;br /&gt;Oh kuulgem, löövad kire vasksed kellad,&lt;br /&gt;Et nähkem, hiilg’vad silmad, palged hellad!&lt;br /&gt;Tund tundi nelju taga a’ab.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7666055385453882839?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7666055385453882839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7666055385453882839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/04/pequeno-exercicio-de-traducao.html' title='Pequeno exercício de tradução'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-733212303086802057</id><published>2009-04-05T23:41:00.004-03:00</published><updated>2009-04-06T00:41:04.899-03:00</updated><title type='text'>A volta do tormento do infinito</title><content type='html'>O esquecimento nunca mostrou seu rosto de forma tão pungente. Bastava olhar para os lados, para o alto, que não havia nada ao redor que não fosse cinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era um corredor. Era uma úlcera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monumento à aspereza. Pior nem era estar lá, era ver pobres jovens almas entrando ali, com seus sonhos pueris, seus anseios, desejos de mudança... vagando por aquele corredor. Acham que mudarão o mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal sabem do sol a nós reservado, que ainda queimará sobre suas cabeças, cortante, como punhal. Todavia eles não se importam. Sorriem. Estão felizes. Como se não se importassem, ou não soubessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, benditos sejam os inocentes e sua temeridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delicioso e perigoso rumo que a inocência nos dá na vida, não? E foram tantos e tortuosos os caminhos, tantas voltas... e acabou ali, no corredor-barricada da realidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem poderia esperar que novamente lá esperando, eu o veria. Chegando exausto, faminto. Mas os olhos continuam tão vivos. O corredor pra ele naõ é barricada, nem "deixai toda esperança vós que entrais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Um dia o céu chega, ele sabe. Ou na forma de sorriso, na forma de gesto, de dança. Não importa. Para ele, corredor é espera. Espera pela doçura do dia do não-ter virar abraço. De dizer todos os nomes que ele pode dar para o ter. Sim, ter é tardar e candor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele só não sabia que de tantos nomes que ele pode forjar, aquele serviria para céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-733212303086802057?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/733212303086802057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/733212303086802057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/04/volta-do-tormento-do-infinito.html' title='A volta do tormento do infinito'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7207660719687219841</id><published>2009-04-03T00:50:00.003-03:00</published><updated>2009-04-03T01:18:19.368-03:00</updated><title type='text'>O acalanto e o desalento</title><content type='html'>Foram tantas, as tantas vezes que te fiz dormir nas minhas palavras... e, no entanto, talvez você nem mais alcance que já foi o meu maior encanto, minha mais terna pretensão. Por quais pomares colhes teus sonhos maduros? Você dormia nas minhas palavras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, teus enganos e equívocos, que do sono que eu fazia para te dar todas as noites, de todos os pensamentos vagos e não-vagos que me roubava, só me restam hoje noites em claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem encontro algum alento sequer, que me faça sair do desterro de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim escrevo. Escrevo para que teu sono possa ter onde recostar após teus cansaços mundanos. Curiosamente, apesar dos abismos da saudade de ti, do silêncio mutilante, escrevo. Mesmo diante de uma ausência tão agreste, como uma prece, escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem que saibas, te faço dormir, falando baixinho, semeando girassóis, como um menino, como um pássaro, como o próprio vento que te bate à janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imprevisível e irresistivelmente, te escrevo. Livre de dores ou dissabores, de todas as circunstâncias e coerções, escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando te escrevo, sei que ainda está brotando nos meus jardins. Te canto, você me inventa. Veja, é mais intenso que o tempo, que o teu silêncio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que até mesmo da tua loucura eu preciso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7207660719687219841?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7207660719687219841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7207660719687219841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/04/o-acalanto-e-o-desalento.html' title='O acalanto e o desalento'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2612750902750303579</id><published>2009-03-17T00:54:00.004-03:00</published><updated>2009-03-17T10:15:41.993-03:00</updated><title type='text'>Augúrios de liberdade</title><content type='html'>&lt;p&gt;Na madrugada sua fúria, foi uma acusação espúria. Tua voz, outrora candor; agora, pura injúria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu não-sei-o-quê, um saber que sei sem saber, fruto da sua própria Contradição Original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas palavras, agora ocas, desalento, mal estar, ressoando no silêncio em ecos do vazio dos abismos que fez nascer em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não arranque de mim significações, a sua contemplação de imagens toscas e impuras... e não julgue sonhos, nem pessoas. Não tem tanta divindade assim para julgar. E eu, nenhuma pra perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas alguém passa na minha frente. Uma moça, comendo chocolate. Esqueço os abismos, paro de escrever, não mais penso, nem sonho. Só há o impasse de desejo e luxúria, impasse de não ser chocolate, de não estar entre dedos e lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que existe doçura em qualquer canto, até msemo fora dos teus abismos!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2612750902750303579?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2612750902750303579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2612750902750303579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/03/augurios-de-liberdade.html' title='Augúrios de liberdade'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-8971823379317413358</id><published>2009-03-08T22:49:00.006-03:00</published><updated>2009-03-10T20:41:53.346-03:00</updated><title type='text'>Teogonia XIII</title><content type='html'>Do nascimento da dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Açucena dançava pelo jardim, sozinha. Era assim que gostava de dançar. Também, poucos teriam coragem de fazer o convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor sincera que era, tinha os pés tão delicados, ágeis, que mal tocavam o chão. Quem a visse podia jurar que não tocavam o chão! Não foram meras mãos mortais que forjaram aqueles pés, era impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que passavam pelo jardim diziam mesmo que ela fazia vento quando dançava, porque dançava com o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das tantas e tantas coisas que faltam no mundo, será que lhe falta um par? Amauta, comovido, se surpreendeu... &lt;em&gt;só ela sente, por que será? Será que em seu mundo não haverão outras esquinas que não sejam sujas? Ah, se essas ruas afora fossem minhas, faria esquinas com cheiro de mate!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso semeador de girassóis, de Açucena, de auroras, não compreendia. Ninguém podia! Onde estarão as mãos, divinas e ternas, que fizeram seus pés e seus movimentos?!?! Será que não se importam com aquela dança de solidão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram-lhe pés tão doces como o mel, como o cheiro que as árvores têm quando chove, que não conseguem ouvir o clamor da dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ouvem e, infames, não se importam? Se for, que minha boca seja um eterno estertor de ateísmos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãos, pura potência, clamor... A menina que sabia dançar como o vento, com o sol, não conheceria os segredos de como semear?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não, mas ela brincava e coloria os ventos. Até o sol a queria para par! &lt;em&gt;Será que ela sabe que eu já forjei um céu inteiro?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amauta desvendou e semeou a primeira dúvida que faz sorrir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia até brincar com as criaturas do vento. Os passarinhos ficavam ao redor dela. Até os insetos, mesmo os mais pequenos, vinham pousar sobre sua saia, tentando beijar seus pés, seus dedos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o vento daquela dança que gosta de morar naquela esquina com cheiro de chá! E cheiro de chuva, de flor, de outono, de saudade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol, encantado, apaixonado, foi cuidar dela. E não só aquecia sua pele, seu rosto, seus pés delicados. Só algo tão magnífico, desejo puro como um sol para ter toda a audácia de aquecer uma alma. E só pensará nela na hora de pedir para aprender a dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mesmo um sol é capaz de amá-la... &lt;em&gt;forjei e semeei céus, campinas, flores que amam o sol... mas eu não sei dançar!!! Será que ela me conduz?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Amauta aprendeu que dúvida que faz rir também faz chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-8971823379317413358?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8971823379317413358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8971823379317413358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/03/teogonia-xiii.html' title='Teogonia XIII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1185497355536674569</id><published>2009-02-26T12:37:00.002-03:00</published><updated>2009-03-15T14:35:26.243-03:00</updated><title type='text'>Pilvede ja padjapüüride kohal</title><content type='html'>Ela sabia tocar na face&lt;br /&gt;das manhãs e do vento.&lt;br /&gt;Dali brotavam sons,&lt;br /&gt;tão frágeis como girassóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa dela,&lt;br /&gt;ele carregou um rio inteiro nas costas&lt;br /&gt;morro acima, morro abaixo.&lt;br /&gt;(Ele sabia que toda uma vida&lt;br /&gt;se veste de rios).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu que melhor seria&lt;br /&gt;deixa o rio de si&lt;br /&gt;com aquelas mãos,&lt;br /&gt;que forjavam sons e paz,&lt;br /&gt;que só por isso&lt;br /&gt;exalam cheiro de chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rio seguiu seu curso,&lt;br /&gt;atrás das suas donas mãos&lt;br /&gt;que não soltou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar das mãos,&lt;br /&gt;agora o silêncio que se faz&lt;br /&gt;num canto onde as cordas&lt;br /&gt;de se falar com a manhã&lt;br /&gt;dormem, apreensivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas costas não há mais um rio,&lt;br /&gt;mas o peso inclemente da distância,&lt;br /&gt;das mãos ausentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade agora tem cor de girassol&lt;br /&gt;e cheiro de chá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1185497355536674569?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1185497355536674569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1185497355536674569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/02/pilvede-na-padjapuuride-kohal.html' title='Pilvede ja padjapüüride kohal'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-8492096621820190762</id><published>2009-02-11T14:57:00.000-02:00</published><updated>2009-02-11T14:58:47.330-02:00</updated><title type='text'>Para além das apropriações do tempo</title><content type='html'>Negação dos reflexos careceu de alguma maior explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi esse o sentido da luta pela ausência dos reflexos, a luta contra e para mais além da compreensão imediata das formas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo na busca do Eu Primordial. Quem mais, além dele, precisa de existência na aparência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque fora das compreensões imediatas da forma, há um mundo essencialmente potencial, feito de criação. De paixão, de pura vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não há outro sentido que uma existência possa ter. Paixão, em toda sua plenitude, resgatando a fúria cantada pela Musa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que não compreenderão que o desejo de existir foge ao plano do sensível? As apropriações de espaço, de formas, só terão sentido para cada intimidade, e nada além disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As intimidades só tem razão de ser porque nada escapa à vontade, à paixão. Nem Açucena, nem Amauta, nem os mais belos girassóis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-8492096621820190762?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8492096621820190762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8492096621820190762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/02/para-alem-das-apropriacoes-do-tempo.html' title='Para além das apropriações do tempo'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-707203428367562860</id><published>2009-02-02T22:53:00.002-02:00</published><updated>2009-02-03T16:13:11.839-02:00</updated><title type='text'>Teogonia XII</title><content type='html'>Da origem do sentido dos reflexos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei dias sem me ver no espelho. Não pensem vocês, ao lerem, que foi uma tentativa de fuga. Não, não foi. Longe disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria compreender como seria a ausência do reflexo, daquilo que nos vemos e tomamos como a nossa realidade. Que falta faria o "eu primordial". Como seria estar, de fato, ausente de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pensava naquilo que nos dizem, que é o fim de tudo quando não nos reconhecemos mais diante do espelho. Será? E os cegos, como fazem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, dias sem me levantar e olhar dentro dos meus olhos. Que estranho soa. Evidentemente que, nesse tempo, houve situações em que, passando diante de alguma vitrine, alguma porta, via meu reflexo, mas em nenhum momento me chamou a atenção. Não me detive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quase uma semana, olhei novamente no espelho. Será que me reencontraria? Veria outros de mim que ainda não conheço pelo nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vi? Novamente o "eu primordial". Novamente, o mesmo reflexo cotidiano e conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando voz incauta ressoou pelo jardim novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vês, meu caro? As aparências, o mundo sensível, se faz um dominador. Não és mais nada além daquilo que vês? Num espelho não haverão outros de nós. Espelhos não são diferentes do mundo ao redor, e somos só algo que reflete, tal como uma planta, um quadro.  Nada além de um único e mesmo sentido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, poetinha, não haver mais reflexo nada significa. O que é um reflexo, além daquela mesma e enfadonha realidade à qual pertencemos. Algo que nem cabe definir; já estando tão e tantas vezes dito, pronto, emoldurado.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E voz incauta se calou, novamente. Sorri, por não ter sentido nem um pouco de saudade de mim! Seria uma infâmia sentir saudade de um reflexo! Além disso, como sentir falta de um, em meio a tantos outros de nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ter um reflexo não significou ausência de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um reflexo é apenas o sentido oposto da real ausência que se faz na vida de um Amauta. É não sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o "eu onírico" não é o "eu primordial", mas é o mais essencial. O meu reflexo só pode fazer falta quando deixou de estar no olhar dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há ausência, há saudade, quando não florescem mais Açucena. Nem girassóis.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-707203428367562860?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/707203428367562860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/707203428367562860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/02/teogonia-xii.html' title='Teogonia XII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1486723723975743308</id><published>2009-01-29T21:02:00.001-02:00</published><updated>2009-01-29T21:28:00.339-02:00</updated><title type='text'>Diálogos II</title><content type='html'>... e voz incauta se afasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos no jardim, em êxtase. Sim, porque de algo audaz e incauto que veio da mesma forma que se foi que fez-se a luz no jardim das açucenas. E todos recebem os beijos dos lábios da Aurora, &lt;em&gt;de róseos dedos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastava entender os girassóis! E poetinha continuou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sim, podemos entender os girassóis, e nem o Amauta sabia disso. Porque é só com mãos tão perfeitamente esculpidas que se pode compreender toda a razão de um girassol.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Claro que também era preciso chvua, tanta chuva, senão não haveria dimensão alguma da ausência e de saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Busquei tantos ontens em mim, e foi ontem apenas, num único ontem, que os girassóis brotaram nesse jardim das campinas oníricas. Esculpiremos girassóis, com palavras, como totens.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sim, ergueremos totens. São assim as nossas palavras. Peças entalhadas, como se fossem a primeira e a última. Como se fossem únicas. E, palavra por palavra, junto peças. Não poderia ser de outra forma. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra as belas artes e as belas letras. Com girassóis, palavras entalhadas ganham tantos novos horizontes, novos e indecifráveis ares, o que lhes dá aquela nitidez tão metafísica. E poetinha respira essa atmosfera, que o envolve, como o primeiro abraço numa noite chuvosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só assim são capazes de amenizar tormentos e angústias! Como não erguer, então, totens e mais totens, pelas madrugadas abafadas. Tivemos aquele abraço daquele novo horizonte!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Totens e palavras só se calam quando encontram aquelas maõs, aquele olhar, tão perfeitamente entalhados - nem mesmo um Demiurgo poderia moldar tanto candor. Porque naõ foram palavras nem forças mortais que fizeram brotar girassóis, e seus olhares, e seus abraços, sorrisos, aromas, cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem um poetinha, nem um Amauta, nem qualquer outro de outra humanidade seria capaz de precisá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Apenas sinta. Sinta terna e profundamente,&lt;/em&gt; um suspiro audacioso veio no vento que trazia outra chuva. Foi a chuva quem trouxe o olhar, o último olhar de girassol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carinho que havia nesse olhar pode ser capaz de despedaçar e espalhar todos os totens erguidos, em milhares de peças, num oceano de encanto. Será que os girassóis saberão desse poder todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos girassóis que semeiam olhar e carinho, só cabe, assim, ao poetinha, ao Amauta, a todos os outros que ainda estão e estarão no mesmo jardim, cultivar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cultivar não é também um ato de amor?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1486723723975743308?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1486723723975743308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1486723723975743308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/01/dialogos-ii.html' title='Diálogos II'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-5586848578879129689</id><published>2009-01-29T16:46:00.006-02:00</published><updated>2009-01-29T21:01:55.066-02:00</updated><title type='text'>Diálogos</title><content type='html'>Ato de geração de jardins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos de silêncio, instantes entre a aurora, insônia, agonia. Nesses instantes, Amauta, poetinha, Bernardo, soldado, Be... não se falam. Andam pelas ruas vazias, incertos. Ao se cruzarem, não se reconhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse silêncio é uma hostilidade, fruto de um mundo perverso e cheio de malícias e meandros. Há poucas coisas tão infames como o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É num jardim onde todos esses outros se encontram. Essa pequena humanidade, que só a mim pertence. E foi precriso criar um jardim, sobre nuvens e fronhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem percebeu isso foi justamente poetinha, que tentara colher um punhado de poemas. Tudo pretexto! O seu anseio era de uma dedicatória insensata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi sobre esses poemas que, sem querer, brotaram os primeiros girassóis no jardim de Açucena. Dessas impressões surgiram brotos, não sonhos. E poetinha soube que saudade brota, nos mesmos pomares de se colher sonhos maduros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poetinha ficou zonzo. Foram tantos pensamentos que lhe vieram à cabeça, tentando desvendar os mecanismos e meandros daquele olhar que foi o real causador da sua saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;... um mecanismo tão complexo ao ponto de não comportar uma mera explicação que caiba apenas em uma vida. Um mundo inteiro se tornaria sem graça e simplório diante do olhar dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e como eu, poetinha, posso começar? É só um punhado de poemas. Nada mais audaz que uma dedicatórica carinhosa num punhadinho de versos não? E poderia, quem sabe (ela sabe!!), surgir um tempo que chamaria de nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;E toda uma realidade se desvela na pergunta: quantos de um só são precisos para que se faça ouvir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;... já não me sinto mais tantos outros. Por que não me escutas! Que falta me faz a voz, o olhar, jamais poderia imaginar que um vazio pudesse surgir daí! Mas veio, inevitável, como o mesmo rio que leva toda natureza dos sentimentos, o mesmo rio que um dia um tal grego quis afogar a essência humana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Disso, o semeador Amauta cruzou no jardim, onde poetinha cantava sua saudade aos ventos pelos corredores de sonhos. E fez-se noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as noites que se armam de sonhos? Se são só sonhos, como a penumbra pode causar tanto pavor? Por onde estarão os caminhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Entre rios e labirintos&lt;/span&gt;, alguma voz incauta respondeu. &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Se não consegues decifrar caminhos, nem rios nem labirintos, como querer decifrar os sentimentos de um olhar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decifrem os girassóis!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente fez-se silêncio, mas não o que causa dor, nem saudade. Aquele que vem da angústia, que faz o mundo se mover. Seria alguma premonição? Chamado divino? Revelação de uma verdade? Um acaso ou uma lei precisa e predestinada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntas repondidas por voz incauta. Tantas certezas só poderiam ser respondidas ao brotar de girassóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem conhece melhor as tonalidades de um poente, de uma aurora? Quem sabe o cheiro que o canto dos pássaros tem quando vai chover ou quando vem uma primavera? Quem é capaz de me guiar na busca dos meus próprios ontens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num jardim de tantas intimidades, onde todo candor se encontra, respostas virão no brotar de um simples girassol&lt;br /&gt;&lt;p&gt;(continua...)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-5586848578879129689?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5586848578879129689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5586848578879129689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/01/dialogos.html' title='Diálogos'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1454926402894878371</id><published>2009-01-09T14:34:00.002-02:00</published><updated>2009-01-09T14:50:45.644-02:00</updated><title type='text'>Depois da chuva</title><content type='html'>A saudade que tinha dela era tanta que ele decidiu ir atrás da chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como aqueles homens de antigamente, que iam para o oeste atrás de tesouros, lá foi ele, para o oeste, atrás daquilo que valia mais a ele que todo ouro do mundo: as ternas gotas da chuva que caía quando pensava nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi montado no vento, até os jardins com a terra cor-de-figo. Jardim como esse só poderia ter um nome doce de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é nesse jardim que vive o mundo depois da chuva. Ele jamais conhecera esse mundo. Como poderia imaginar que depois da chuva nem a saudade caberia mais nas palavras. Saudade, depois da chuva, vira ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele também descobriu que a ternura mora na eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ela percebeu que deixou de caber nas palavras dele e passou a habitar toda sua eternidade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1454926402894878371?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1454926402894878371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1454926402894878371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/01/depois-da-chuva.html' title='Depois da chuva'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4544877483448599300</id><published>2009-01-09T13:40:00.005-02:00</published><updated>2009-01-09T14:31:45.742-02:00</updated><title type='text'>Teogonoia XI</title><content type='html'>Certa vez houve um Deus, grande e todo poderoso, e o filho dele, que veio com o único propósito. Morrer. Morrer crucificado. E foi seu próprio Pai quem o mandou pra esse terrível fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo feito por um Criador desses, tão perverso, o Amauta não quis. Quis ele outro mundo, onde o Divino não está nas palavras, nem numa natureza dominada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando descobriu que no início não havia o verbo, nem a forma. No início só havia o desassossego. E que desassossego maior que saber que vivemos num mundo onde o seu Fazedor mandou o próprio filho para morrer pregado, crucificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas chagas, que todos carregamos a vida toda. Basta olhar no espelho, ou olhar para qualquer um que cruze nosso caminho. E veremos algum traço dessa sina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, muito mais além que nominalistas e corporalistas. Se houver uma divindade, ela não estaria em nenhum lugar que não fosse humano. Será tão difícil compreender isso? Por isso o pai matou o filho, pra que todos os outros filhos carregassem a chaga. Não tem nada mais divino que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a poseia e a blasfêmia e a doçura confluem, em palavras ordinárias. Minha maior heresia é minha teogonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando vi esses traços de Cristo crucificado, nos rostos pequeninos de crianças pelo caminho, pedindo com as mãos que lhes desse bom ano. Mesmos traços que vi num louco, que pedia intransitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez é nesses traços comuns e agonizantes, onde mora a força Criadora, em cada um de nós. Esas força que perdemos, mas que não se perde em labirintos ou sonhos que evaporam a cada manhã desmemoriada. É a força que se perde na maturidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim nasceu uma outra agonia, quando viu-se o que se foi. E é a esses, que ainda carregam as chagas da criação, aos que não separam sonho nem pensamento, que olhem, com toda sua clemência e inocência, aos que se perderam nos labirintos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se, não for demais pedir, em toda essa infinitude, que, talvez um dia, olhem também para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4544877483448599300?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4544877483448599300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4544877483448599300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2009/01/teogonoia-xi.html' title='Teogonoia XI'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6436893163908995293</id><published>2008-12-23T17:29:00.003-02:00</published><updated>2008-12-23T17:44:19.263-02:00</updated><title type='text'>Teogonia X</title><content type='html'>&lt;em&gt;Carta de Natal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não esperem, os que me lêem, os mesmos desejos natalinos dos cartões pré-fabricados, os desejos tão esvaziados que costumamos dizer tanto no Natal, como no Ano Novo, ou em um aniversário qualquer.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Precisamos ser conseqüentes até mesmo numa hora tão delicada como essa. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se não fosse por causa dela, essa hora seria apenas uma hora. Por causa dela, todos os instantes em que ela está são delicados. Ah, como eles são bons!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas poso desejar praças, para as crianças que não as têm. Um mundo com mais praças não pode ser pior.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desejarei, a todos, que sejamos mais sofisticados. Sim, isso mesmo. Não de jeito, mas de moral, de conduta, na hora de lidarmos com os outros. E desejo que lembremos que nós também somos outros. Que não sejamos morcegos histéricos e cegos, nem robôs simiescos portando bugingangas complexas e mortais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desejo mais razão, a mesma que foi descoberta séculos e séculos atrás, que insistentemente parece que a ela somos refratários.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Desejaria que Deus os abençoasse. Mas não posso, não esse Deus onipotente, onipresente, oniperverso. Não, não e não! O Deus que os abençoará nossoNatal é o mesmo que fez a geografia do horizonte se confundir com uma saudade criada ou renascida, onde o Mesmo fez crianças correndo, pelos gramados e praças. Mesmo Deus que nos faz colher saudade na chuva feita só para ela.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus-Amauta que semeia Açucenas pelos jardins da vida, a esse peço, de joelhos, a todos que amo e que amarei, o melhor Natal de nossas vidas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6436893163908995293?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6436893163908995293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6436893163908995293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/12/teogonia-x.html' title='Teogonia X'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6460819649432466927</id><published>2008-12-19T09:22:00.004-02:00</published><updated>2008-12-19T09:56:56.399-02:00</updated><title type='text'>Teogonia IX</title><content type='html'>Naquele dia não havia nada no céu que não fosse nuvem.&lt;br /&gt;E o que ela fez, nem o Sol faria. Encheu cada gota de chuva de saudade e sabor, e não houve horizonte que não quisesse caber dentro de cada uma dessas gotas.&lt;br /&gt;Naquele dia, ele fez questão de não usar guarda-chuva. Deixou-se molhar de horizontes e da saudade dela. Foi a primeira vez na história que o Amauta se enxarcou de carinho.&lt;br /&gt;Não foi nada semeado, foi só ela, que soube ser mais Açucena do que nunca.&lt;br /&gt;Ele, Amauta, só teve que olhar pro alto. Nem um semeador de galáxias, pensava, poderia ter esculpido uma única criatura que carregasse em essência tantos sonhos profundos e doces.&lt;br /&gt;Ela é real, a realidade que não é prolixa, mas a realidade que ele quis abraçar e pôr no colo. Real é só e tudo aquilo que se aprende a amar.&lt;br /&gt;Cada gota, um horizonte, uma saudade, um afago.&lt;br /&gt;Não mais uma história. Em cada gota, nossa história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6460819649432466927?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6460819649432466927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6460819649432466927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/12/teogonia-ix.html' title='Teogonia IX'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-5068605042395166148</id><published>2008-12-17T15:08:00.002-02:00</published><updated>2008-12-17T15:12:49.083-02:00</updated><title type='text'>Apropriações do tempo</title><content type='html'>De que cláusulas do contrato de viver tiraram que tínhamos que ter isso, ter aquilo, que ter sucesso, que ser vitoriosos, que tínhamos que ser felizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicidade infinita? Não, não pode. Tudo chega num fim, e talvez seja essa a única graça e razão de tudo começar. Começamos para acabar. Pronto e ponto, simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única infinitude possível é o sentimento, e seu irmão com "necessidades especiais", o pensamento. Um é um deus inca, outro,  um incapaz. O pensamento é infinito só quando temos uns tantos mecanismos para fazê-lo agir. Seu irmão, o primogênito, age por conta própria, quase ao seu bel prazer, um deus odioso e sem limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizeram o rio de Heráclito secar. Infames! Mundo hedonista, mundo eudemonista. Foi só isso que criaram? A infâmia está nessa verdade absurda, esse Moloch de centenas de cabeças!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas aves de rapina souberam refinar, de todas as formas de escravidão e servidão, a pior possível. Sepultaram a Tragédia e todas as suas musas! A intensidade que produzem essas tais verdades, as verdades deles, aqui, ali, o tempo inteiro, incansavelmente, transbordando o limiar do real e do ermo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vertigens e paranóia. Pensar por conta própria, céus, que doentio! A perversidade semântica é tamanha que a isso chamam de doença, demência, loucura, etcetera. Marcar, definir, limitar, muito e amiúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a prolixidade do real. Ou a verdade é só um labirinto de falsidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está a potência criadora? Onde estará a potência criadora!?!?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-5068605042395166148?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5068605042395166148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5068605042395166148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/12/apropriaes-do-tempo.html' title='Apropriações do tempo'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3215818424552950196</id><published>2008-12-15T15:45:00.002-02:00</published><updated>2008-12-15T16:22:06.726-02:00</updated><title type='text'>Teogonia VIII</title><content type='html'>Sua voz era capaz de rasgar os céus, ainda mais quando sorria.&lt;br /&gt;De longe ele não via. No entanto imaginava seus dedos tocando a ponta dos lábios. Dedos finos e ágeis, como os da própria Aurora, aquela de lindas tranças. Um amauta não seria capaz de semear de forma tão sutil e perfeita.&lt;br /&gt;E de que forças da natureza poderia emanar tanta candura? E tantas perguntas mais vieram.&lt;br /&gt;A resposta veio na forma de chuva, quando o céu se rasgou por causa da menina de tranças como as da Aurora de lindas tranças.&lt;br /&gt;Chuva que a recitou para o Amauta, e fez renascer uma palavra quase extinta. Foi essa menina, com voz e sorriso de aurora, quem brotou novamente Ddelicadeza no jardim das Açucenas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3215818424552950196?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3215818424552950196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3215818424552950196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/12/teogonia-viii.html' title='Teogonia VIII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-405634559484687714</id><published>2008-12-06T18:14:00.004-02:00</published><updated>2008-12-06T18:44:58.166-02:00</updated><title type='text'>Elegia</title><content type='html'>&lt;p&gt;Espelho. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais que isso, ela é o espelho preferido do céu, onde todas as tardes ele cerra o poente. É ali também, toda manhã, o sol gosta de se ver, fazendo a comunhão do dourado com o prateado. são uma só luz, que chega às beiras da violência, tamanho poder e encantamento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como não amá-la? Como alguém pode tê-la chamado de boca banguela?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É a mais perfeita profusão de coexistências. Pessoas, árvores, mar, montanhas, prédios, pássaros, vento... Assim como a manhã, que compõe sua sinfonia, ninguém é capaz de te recusar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sonhos e olhares se confundem em tua geografia.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-405634559484687714?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/405634559484687714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/405634559484687714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/12/elegia.html' title='Elegia'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-5695741487309461769</id><published>2008-12-06T17:54:00.002-02:00</published><updated>2008-12-06T18:00:25.219-02:00</updated><title type='text'>Jogo eterno e sem sentido das paixões e desejos humanos</title><content type='html'>Rostos cansados, às vezes extenuados, inimigos de si.&lt;br /&gt;Não são mais pessoas, são uma grande ferida, que jamais cicatriza.&lt;br /&gt;É exposta, de propósito, para o horror de todos.&lt;br /&gt;Ninguém mais suporta seu cheiro.&lt;br /&gt;Ninguém quer dela cuidar, para que cicatrize.&lt;br /&gt;Apenas a batizam: Greve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E haveria cura para o descontentamento humano?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-5695741487309461769?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5695741487309461769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5695741487309461769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/12/jogo-eterno-e-sem-sentido-das-paixes-e.html' title='Jogo eterno e sem sentido das paixões e desejos humanos'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6824660472134500937</id><published>2008-11-27T14:54:00.000-02:00</published><updated>2008-11-27T15:20:30.486-02:00</updated><title type='text'>Melissas e Girassóis</title><content type='html'>Talvez num dia qualquer a cidade atordoada e povoada não pudesse perceber a intimidade dela. Nos dias de turba, a cidade é como uma serpente, engolindo e expelindo gente, que singra, e grita e sua. Gente desapercebida entre si, de tão ensimesmada. Milhares de olhares que se esbarram, mas nunca se tocam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem sempre é assim. Esses dias insanos, pasmem, são os dias úteis! E foi desse jeito, num dia não-útil, quando o Amauta aprendeu a arte de semear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha um olhar de melissa, ou talvez girassol.  Do seu olhar de flor, reparou que ela sentia um prazer quase indizível pelas ruas desertas do centro da cidade. Os resquícios de casario exalando aquela certeza serena que mora nos sobrados já descascados, talvez seja a certeza de que a maldade, a mesma maldade que todo dia vejo daqui da janela, pertence somente aos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde o silencio se estendia ela cobria com a ternura. O seu caminhar não é mais pelas calçadas. Anda sobre o esquecimento, faz o antigo ser novo, porque até o tempo quer fazer parte do seu cortejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando o Amauta descobriu que uma Melissa ou um Girassol também pode ser uma Açucena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6824660472134500937?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6824660472134500937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6824660472134500937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/11/melissas-e-girassis.html' title='Melissas e Girassóis'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2978834396923257922</id><published>2008-09-23T22:28:00.000-03:00</published><updated>2008-09-24T12:35:41.686-03:00</updated><title type='text'>Teogonia VII</title><content type='html'>Por causa dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por causa dela que descobri que o sol, no poente, ameniza todos os rostos, até mesmo os mais cansados e empedernidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E percebi que uma porta pode ser também janela ou sacada. Com tanta ansiedade para que ela chegue logo, já, depressa, que não pode ser simplesmente um "entrar pela porta". Ela sabe como entrar não só no espaço, mas no tempo, nos meus ombros, no meu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me pergunto: será que pode alguém não haver amado seus mínimos e sutis gestos? E posso até mesmo amá-la assim, somente por entrar, sem que me ame, e, ainda que me amasse, não me importa... ela já faz da porta minha sacada, a única janela que tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta disso, a visão que eu tenho do mundo é ela. Desafio haver, em todas as galáxias, visão tão doce quanto a minha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, por causa dela, lembro que não pode chover para sempre. A angústia da espera é chuva, e esperar por ela é chuva em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri também que por causa dela eu posso conjugar todas as formas do verbo esperar. Até saudade virou verbo nessa alucinação conjugal de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa dela tenho muito mais carinho pelo pôr-do-sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, apesar de tudo, só por causa dela, toda a luz que tem no sol já não me serve mais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2978834396923257922?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2978834396923257922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2978834396923257922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/09/teogonia-vii.html' title='Teogonia VII'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1008750780324418507</id><published>2008-08-19T00:45:00.000-03:00</published><updated>2008-09-23T22:28:32.325-03:00</updated><title type='text'>Teogonia VI</title><content type='html'>Pequeno discurso sobre o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntado sobre a essência do nada, Amauta ficou emudecido. O nada não tem nexo, nem forma, nem causa. E o nada não é nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que o perguntador não sabe que todos somos compostos de infinitos nadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Amauta abandona o silêncio. Silêncio também é nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sapato velho num poste, ou uma janela suja e com vidros quebrados. Quando lá no alto de um morro, com pasto parco, um cupinzeiro sem uso, ou uma cabana já caindo aos pedaços, o que é, senão o nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um cachecol sem pescoço, um canto vazio esperando a dona das formas sepultadas na saudade. Nada é abraço sem paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada é abandono, que assoma o Amauta pouco a pouco, a cada olhar para o lado. Olhar que agora já não é mais o mesmo. Nada é tristeza que abranda o olhar, é a distância de palmos se fazer eras, fora de todo toque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada é sentir um cheiro que não mais é seu, nem meu, e que nunca mais povoará os seus braços de aurora. Nada é abandono, que destrói e dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nada é chuva sem fim num jardim de Açucena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1008750780324418507?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1008750780324418507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1008750780324418507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/08/teogonia-v.html' title='Teogonia VI'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4021090386502574329</id><published>2008-07-23T18:00:00.000-03:00</published><updated>2008-07-23T18:04:09.997-03:00</updated><title type='text'>Tormento do infinito</title><content type='html'>Quinta parte da teogonia: o Amauta semeou manhã da angústia e da saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Talvez ela nem saiba quem sou, ou nem me perceba. Mas sei que ela está ali, quando chego. Sei porque não há mais ninguém que meus olhos procurem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pode ser que ela não saiba meu nome. Também não sei o dela. Não importa. À menina do olhar ensimesmado dei o nome que seus olhos me dizem: Nunca Me Esqueças. E, talvez, isso ela também não perceba, ou não conceba, assim como não encontro explicação para a existência desse candor, que brota, sem cessar. Mas eu sei que ele existe. Existe porque o coração não me cabe no peito quando a vejo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E será que isso ela vê?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas talvez ela tenha notado, talvez, a maneira que fico tentando esconder em vão as mãos, frêmitas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não sei o que ela faz agora, nem onde está. Estará dormindo? Sonhando? A noite está tão fria... Estará ela só? Ou será que acordada, lendo, pensando? E que palavras suportariam seu olhar? Eu, amauta, não suportei. Tentei, e por causa disso até hoje sofro de disfunção lírica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Será insano escrever para ela? Não consigo escrever seu olhar, nem semeando palavras pelo azul marinho da madrugada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Penso nela, e meu olhar se torna incapaz de esconder o que sinto. Talvez disso ela não saiba, mas ah! Se soubesse... Procuro. Ela não está aqui, e o vazio então se assoma em mim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A noite é fria e altaneira. Como anseio a manhã! Faço a aurora, respirando saudades. Talvez ela sinta a manhã que fiz para ela, de um sorriso ainda sonolento, entre a alvorada e a saudade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E a manhã então foi dela, quando fui audaz para tecer uma aurora para ela, apenas com palavras dispersas, neste frágil pedaço de papel.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4021090386502574329?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4021090386502574329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4021090386502574329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/07/tormento-do-infinito.html' title='Tormento do infinito'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7476182924487306753</id><published>2008-07-08T10:31:00.000-03:00</published><updated>2008-07-08T10:32:08.582-03:00</updated><title type='text'>L'amor che move il sole e l'altre stelle.</title><content type='html'>As linhas ainda estão levemente desenhadas no lençol, que secretamente foram guardadas em algum jardim da saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível deitar-se ali novamente. Apenas ficar nos cantos da cama, pensando se tudo não passou de sonho, até que percebo teu cheiro, que ainda dorme no canto direito do travesseiro, o mesmo cheiro que passou a viver no meu canto esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será por isso ter tantas coisas jogadas no oceano branco, tentando em vão povoá-lo? De que importa usar tantas palavras, para expressar uma mesma idéia que não se pode dizer nunca, em palavras mortais. Palavras também morrem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim o Amauta, senhor das forjas intergaláticas, sabe bem o que move o sol, as estrelas... e o céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7476182924487306753?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7476182924487306753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7476182924487306753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/07/lamor-che-move-il-sole-e-laltre-stelle.html' title='L&apos;amor che move il sole e l&apos;altre stelle.'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-497561070802317830</id><published>2008-07-07T22:04:00.000-03:00</published><updated>2008-07-07T22:20:16.898-03:00</updated><title type='text'>Teogonia IV</title><content type='html'>Surge a chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi o Amauta quem criou a chuva. Há que ser audaz, mas nunca ao ponto de macular o azul do céu que ele forjou. Ainda sim, distante do seu dom de semear, a chuva se fez, de forma silenciosa e repentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quem pintou meu céu de cinza?", foi o cânone que embalou seu pranto durante a noite, junto com a lembrança do cheiro do seu céu, que insistentemente rodeava sua saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva é terrível, faz o frio, faz a dor, faz a saudade doer mais. "Quem pintou meu céu de cinza?", engole duro e seco enquanto olha para um trocinho de lã que ainda guarda o cheiro do seu céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que o Amauta conheceu a chuva em seu jardim. Pode chover no seu céu, sem que ele impeça, mas ele sabe, até ele, que não vai chover para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-497561070802317830?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/497561070802317830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/497561070802317830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/07/teogonia-iv.html' title='Teogonia IV'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-5224254487353130057</id><published>2008-06-17T01:16:00.000-03:00</published><updated>2008-06-18T02:20:17.670-03:00</updated><title type='text'>Teogonia III</title><content type='html'>&lt;p&gt;Foi quando as mãos da aurora se entrelaçaram com as do poeta. Encontro do céu com o seu semeador.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dedos cuidadosamente pequenos e frios, como a manhã que hoje beijava meu rosto. Toque do céu de outono na noite de inverno.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E quem diz que é o príncipe quem sabe qual o momento do amor é quem nunca conheceu a dona do meu céu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-5224254487353130057?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5224254487353130057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5224254487353130057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/06/teogonia-iii.html' title='Teogonia III'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-9184857276725138619</id><published>2008-06-11T01:01:00.000-03:00</published><updated>2008-06-14T20:12:05.989-03:00</updated><title type='text'>Por que educar é um ato de amor II</title><content type='html'>Foram tantos em minha vida. Alguns deixam vagas lembranças. Outros, marcas indeléveis de sentimentos e ensinamentos. Me entristece não poder agradecer pessoalmente a todos.&lt;br /&gt;Das mais doces lembranças, como me esquecer da professora da segunda série do primário? A "tia" Ana Paula, morena bela, de olhos verdes, tão atenciosa. Foi a minha primeira paixão. Minha primeira carta de amor escrevi para ela. Primeiro dia dos namorados da minha vida, e eu rasgo a primeira carta de amor que escrevi. Até hoje sinto raiva de motoqueiros quando lembro do namorado dela. Levou flores. Eram rosas. Ainda desconfio de rosas...&lt;br /&gt;Dos meus professores de música, que ensinaram a sentir o mundo com os ouvidos. Hoje sinto a vida como numa sinfonia. Foi com eles que aprendi a forjar o meu desejo de fazer também parte do universo.&lt;br /&gt;Dos professores, que não cabem na nossa vida só como professores: são chefes, amigos, sócios. Há anos, dia após dia, ensinam o que é ser verdadeiramente competente e diligente, a dar sempre o melhor de si, a estudar e estudar e estudar, sem que nisso implique deixar um amigo de lado.&lt;br /&gt;E como é bom ter a quem nos ensine amizade constantemente.&lt;br /&gt;Impossível esquecer daqueles professores que abrem nossas mentes, dilatam nossos mundos. Esses foram tantos que seria injusto dar a eles um nome que não fosse "Todos Vocês".&lt;br /&gt;Uma vida seria pouco, um idioma insuficiente, para dizer do mundo que eles fizeram em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, como e o que dizer ao professor que fez-me abrir os olhos aos olhos de uma mulher?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-9184857276725138619?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/9184857276725138619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/9184857276725138619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/06/por-que-educar-um-ato-de-amor-ii.html' title='Por que educar é um ato de amor II'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2405116117946817798</id><published>2008-05-28T16:20:00.000-03:00</published><updated>2008-05-28T16:30:36.105-03:00</updated><title type='text'>Em busca do hall do rei da montanha</title><content type='html'>Andei durante horas&lt;br /&gt;por caminhos de gelo&lt;br /&gt;e pedras.&lt;br /&gt;Ali, na poeira,&lt;br /&gt;horas se fazem eras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coberto desse pó,&lt;br /&gt;do vento seco e frio,&lt;br /&gt;sou, simplesmente,&lt;br /&gt;feito de montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego ao precipício&lt;br /&gt;e sento-me em seu trono,&lt;br /&gt;sua pedra mais alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, a montanha me faz seu rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu, então,&lt;br /&gt; engendra o olhar&lt;br /&gt;e o olhar engendra o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu que fiz&lt;br /&gt;tinha a mesma cor&lt;br /&gt;do sorriso e do vestido&lt;br /&gt;da menina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a menina não sabe,&lt;br /&gt;ou sabe? Que o céu que fiz&lt;br /&gt;foi dela!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2405116117946817798?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2405116117946817798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2405116117946817798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/05/em-busca-do-hall-do-rei-da-montanha.html' title='Em busca do hall do rei da montanha'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6101384825070346759</id><published>2008-04-25T09:07:00.000-03:00</published><updated>2008-04-25T09:32:17.434-03:00</updated><title type='text'>Teogonia II</title><content type='html'>As supremacias.&lt;br /&gt;E o amauta então vê o mundo. E a tudo que enxerga nele, dá o mesmo nome.&lt;br /&gt;Supremacias. Tudo ao redor é supremacia.&lt;br /&gt;Do concreto, dos ruídose da arrogância.&lt;br /&gt;Supremacia de abismos, não daqueles que nos fazem entender as montanhas, mas abismos que fazem supremacia ser arma perversa.&lt;br /&gt;Supremacia da maldade humana, do mandar e do desmandar.&lt;br /&gt;É esse o mundo que o amauta vê.&lt;br /&gt;Nem sempre é ruim assim, não é só supremacia de insanidades.&lt;br /&gt;Quando o amauta está só, ensimesmado, ele vê saudade,&lt;br /&gt;a supremacia que toma todo o universo do amauta&lt;br /&gt;Em seu coração-rio, a única supremacia é Açucena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6101384825070346759?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6101384825070346759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6101384825070346759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/04/teogonia-ii.html' title='Teogonia II'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6322757878751441829</id><published>2008-04-18T00:05:00.000-03:00</published><updated>2008-04-18T00:17:33.727-03:00</updated><title type='text'>Teogonia</title><content type='html'>Antes, o todo era a noite. Apenas a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da união dela com a neblina, fez-se a aurora. E a aurora traz consigo o orvalho, sumos do céu que a noite faz deitar pelos prados do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, doce mundo feito pelo Amauta! Na sua visão, não há maior expressão dessa fecundidade que na chuva. É nela que ele lava toda sua saudade; é onde a água cai nas palavras como deita o orvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta ama a chuva, porque sabe que dela nasce o rio, mesmo que o céu seja degredo e agonia. É da união do rio com as campinas que nasce Açucena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Açucena é flor do rio, aurora da noite sem fim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6322757878751441829?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6322757878751441829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6322757878751441829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/04/teogonia.html' title='Teogonia'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2449380837437490240</id><published>2008-01-21T23:32:00.000-02:00</published><updated>2008-01-21T23:33:32.408-02:00</updated><title type='text'>Porque educar é um ato de amor</title><content type='html'>Tive a oportunidade e o privilégio de ter contato com sua arte, infelizmente no mesmo ano em que ele nos deixou. Talvez ali eu não soubesse o quão fabuloso era o legado que passava a conhecer.&lt;br /&gt;Daqui a cinco dias completam-se 10 anos de sua partida.&lt;br /&gt;Pude me lembrar disso essa semana. Talvez eu nem tenha a memória fraca. No entanto, sou fraco para memórias.&lt;br /&gt;Como hoje de manhã: acordei, lembrei, sorri e chorei.&lt;br /&gt;E como não chorar quando sei que o mundo perdeu uma das provas da genialidade e compaixão humana? Um professor que em meio a destroços da guerra – esse produto mais notável e medonho do sistema que impera o mundo – mesmo ante a dor de perder tudo o que sua família construíra, de perder pessoas que amava, de passar, literalmente, fome, teve olhos para o próximo, e os que mais sofriam: os órfãos da guerra.&lt;br /&gt;Ele queria formar homens e mulheres com coração.&lt;br /&gt;Entendia que o potencial de qualquer criança não tinha limites.&lt;br /&gt;Se a criança pudesse sentir que o som vinha do seu próprio sentimento, poderia, com muito estudo, um dia reproduzir o sentimento do coração de cada compositor da música que executasse.&lt;br /&gt;O que ensinava não era apenas música. Ensinava a seus alunos a sentir, a compreender os sentimentos, e a cuidar deles.&lt;br /&gt;Hoje fui fraco para memória. Foi o que aprendi na filosofia do Dr. Shinichi Suzuki que fez entortar o horizonte dentro do oco dos meus olhos, e o ver também é sentir.&lt;br /&gt;Se não fosse ele, jamais poderia um dia ver Açucena brotar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2449380837437490240?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2449380837437490240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2449380837437490240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2008/01/porque-educar-um-ato-de-amor.html' title='Porque educar é um ato de amor'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2577470708809689881</id><published>2007-12-21T02:46:00.000-02:00</published><updated>2007-12-27T02:01:41.289-02:00</updated><title type='text'>Estranhezas e retratos</title><content type='html'>Mais um pouco do "Tratado geral das estranhezas do mundo": noite passada percebi que a estupidez humana reside nos armários de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da vida, adquirimos a capacidade incrível de acumular certa quantidade de sentimentos, outro tanto de opiniões - estas que vão mudando constantemente -, um punhado de lembranças e algumas toneladas de tralhas e quinquilharias. É curioso como somos capazes de dar mais valor a um trocinho de papel do que a uma lembrança. Pior! Os pequenos troços têm força simbólica pavorosa: eles são as lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quem foi o primeiro a ensinar isso, mas a moda pegou. Guardamos coisas demais. Bom, eu arrumava o armário, pensando na estupidez humana, em como são latentes, indeléveis, os traços tão marcantes da nossa "origem humilde".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E será que pensar na estupidez é algo estúpido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entretanto, achei fotos antigas, larguei aquela porcariada toda de arrumação. Não há nada mais chato que arrumar um armário zorreado. Sentei ali mesmo, no chão, e fiquei revendo as fotos. A maioria delas foram tiradas nos primeiros anos da faculdade de direito. Tempo de experimentar, tempo de aprender a viver. Tempo que vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a lembranças não mais tão recentes, pego uma foto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente deixei as fotos num cantinho, e fiquei só com aquela. Tirada no dia em que achei a velha pentax no armário da casa da vó. Foi o primeiro retrato que tirei com aquela câmera. Só podia ser dela, da Níni, a melhor amiga que a vida me deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com ela que aprendi a experimentar, a descobrir. A Níni deu ares de aventura e candor pra uma vida que foi tomando, pouco a pouco, um rumo tão enfadonho. Conviver com ela aqueles anos foi aprender que o vento que sopra de noite tem cor. Cor e asas. Ah, ela, evidentemente, talvez nem saiba disso, me ensinou a voar nessas asas que têm os ventos azuis, que quando só pode caber alegria, é tudo vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os rumos postos também são contrapostos e hoje a melhor amiga que já tive até hoje mora numa terra no topo do mundo, onde ainda o tempo é meio pedra, meio mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele lugar milenar, terra de fogo e gelo, mora a saudade que respiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2577470708809689881?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2577470708809689881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2577470708809689881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/12/estranhezas-e-retratos.html' title='Estranhezas e retratos'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2299355048846641183</id><published>2007-12-05T13:13:00.000-02:00</published><updated>2007-12-05T21:56:06.534-02:00</updated><title type='text'>Quando fui teu.</title><content type='html'>Quis dizer teu nome&lt;br /&gt;no silêncio, no fim da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o diria, mesmo&lt;br /&gt;que nunca viesses,&lt;br /&gt;ainda que nunca&lt;br /&gt;meu som fosse teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse teu nome&lt;br /&gt;longe de você&lt;br /&gt;ausente de mim.&lt;br /&gt;E aprendi como&lt;br /&gt;fazer a manhã&lt;br /&gt;ausente de aurora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ainda assim,&lt;br /&gt;o disse. Disse e sorri,&lt;br /&gt;porque teu nome,&lt;br /&gt;menina minha,&lt;br /&gt;é o sorriso longe&lt;br /&gt;de qualquer dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só uma boca&lt;br /&gt;com a cor&lt;br /&gt;do sol se pôr.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2299355048846641183?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2299355048846641183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2299355048846641183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/12/quando-fui-teu.html' title='Quando fui teu.'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6285116397697224528</id><published>2007-12-05T12:52:00.000-02:00</published><updated>2007-12-05T12:53:01.506-02:00</updated><title type='text'>Transgressões</title><content type='html'>Deixar as janelas escancaradas, na esperança de renovar o ar impregnado, de nada adiantou. O que entrou pelo quarto era um sopro pervertidamente quente, que parecia impedir que qualquer som alheio ao meu pensamento pudesse se propagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agonia na madrugada. De nada serviu infestar-me de música. Nada rompia o silêncio que se abateu sobre mim. Não vinha de fora, vinha de dentro. O ar quente da noite fazia com que ele exalasse aquele cheiro pela casa. Consumia-me no meu próprio silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transgredi o silêncio dizendo seus nomes tantas e tantas vezes que o vento foi esfriando, foi ficando mais azul marinho. Dele me vesti. Pude acender círios em suas caudas quando corrompi aquela agonia sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu nome, Açucena, corrompe a agonia que se assoma em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6285116397697224528?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6285116397697224528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6285116397697224528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/12/transgresses.html' title='Transgressões'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4212205928751219533</id><published>2007-11-29T15:18:00.000-02:00</published><updated>2007-11-29T16:00:05.444-02:00</updated><title type='text'>O tratado geral das estranhezas do mundo</title><content type='html'>Este tratado é, para ser definido em uma palavra, audaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há audácia até em seu título. Afinal, seria preciso toda uma vida, ou algumas, para que fosse um tratado legítimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, um tratado por si só é fruto da audácia de seu autor em trilhar o caminho mais longo possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque o caminho mais curto nem sempre é o mais bonito ou mais divertido. Os caminhos curtos são perigosos; é preciso coragem para trilhar montanha acima, muito mais do que o circundá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda a audácia. Sempre a audácia. Eterna conquista, estranho sentimento quase que alheio à razão, frêmito que inflama o caráter e se espalha por quem estiver perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi audácia, a mesma audácia, que mostrou ao amauta o jardim das açucenas. É audácia o ímpeto de semear palavras mundo afora para fazer brotar Açucena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser audaz é ato de amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4212205928751219533?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4212205928751219533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4212205928751219533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/11/o-tratado-geral-das-estranhezas-do.html' title='O tratado geral das estranhezas do mundo'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1953964992871907810</id><published>2007-11-23T16:38:00.000-02:00</published><updated>2007-11-23T16:39:57.324-02:00</updated><title type='text'>"É isto o homem?"</title><content type='html'>Outro dia, bem longe daqui, faz já uns meses, enforcaram um ex-chefe de Estado, um genocida. Mas enforcaram o homem, um velho, aspecto doentio e derrotado, num julgamento digno de fazer inveja aos tribunais do “santo” ofício. E fez-se circo da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos pés do Himalaia matam pessoas que professam uma filosofia de paz e tolerância, em nome da ordem mantida sob a maior intolerância que existe: a intolerância de ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais perto, bem mais perto agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei onde eles foram parar. Há algumas semanas estavam deitados lá, na portaria do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A degradação era tanta que não estavam apenas deitados. Estavam prostrados. A imundice que lhes cobria o corpo formava um véu que impedia que alguém pudesse ver a humanidade por detrás daqueles trapos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eram homens, mulheres, aqueles trapos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não estão mais lá. Possivelmente ninguém se lembra deles, a não ser os que se incomodavam um pouco além do suportável e da indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sub-homens, quase vermes. Pedem comida, restos, trocados, bazófias. Seus olhares conservam um brilho que nos remete apenas à agonia de quem clama por vida. A própria vida, a humanidade ou alguma coisa qualquer que possa se chamar de dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós displicente e indiferentemente os chamamos de mendigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1953964992871907810?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1953964992871907810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1953964992871907810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/11/isto-o-homem.html' title='&quot;É isto o homem?&quot;'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-5032333291382859389</id><published>2007-11-13T23:04:00.000-02:00</published><updated>2007-11-14T00:16:24.046-02:00</updated><title type='text'>Inexplicações</title><content type='html'>Primeiro havia o nada. E alguém disse, não sei dizer quem, que o nada não era bom. E fez-se tudo o que há, tantas coisas e tantas gentes, mas as gentes queriam ficar juntas.&lt;br /&gt;Assim, quando as gentes viraram o nós, quisemos medir as distâncias. Sim, afinal, era o que desunia o nós. Sinceramente, acho que para saber com mais certeza o tamanho da nossa saudade.&lt;br /&gt;Algum dia qualquer alguém inventou de medir o mundo. Criou-se o o tempo. E com o tempo, veio o fim. E aquilo que foi feito para medir, começou a devorar o mundo e o tudo.&lt;br /&gt;Quem criou o tempo, criou o juízo final. Marcos que nos aproximam inevitavelmente do fim, do fim que nós mesmos criamos. E o nós virou o nada.&lt;br /&gt;Foi por isso que nunca se semeou o tempo. Não é tempo que faz Açucena brotar.&lt;br /&gt;Nem tristeza, nem silêncio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-5032333291382859389?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5032333291382859389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/5032333291382859389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/11/inexplicaes.html' title='Inexplicações'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-4929927352083935426</id><published>2007-10-31T10:14:00.000-02:00</published><updated>2007-10-31T10:32:15.167-02:00</updated><title type='text'>Hora de colher os sonhos maduros</title><content type='html'>Estiagem no jardim de Açucenas acontece quando seu amauta, seu poetinha, depara-se com tanta coisa, com as cláususlas indecifráveis que fazem a vida parecer um contrato cada vez mais absurdo. Silêncio.&lt;br /&gt;O silêncio é a incongruência maior que pode haver entre Açucena e Poetinha. Silêncio é infame, reacionário, odioso. Mas ele vem, cala a palavra, cala a mão e a caneta. E dolhar que semeia, desolação.&lt;br /&gt;Só posso dizer que entre Poetinha e Açucena existe amor. Mas tão diferente é escrever e falar a palavra amor, outra coisa é dizer amor. Dizer amor é penetrar nos aposentos mais profundos do coração humano, e sem palavra que semeia, fica-se entre a ausência e o desespero.&lt;br /&gt;Onde estarão as palavras? Onde o viver abandona o absurdo e Açucena volta a brotar no nosso jardim planetário, onde colhemos sonhos e armoas?&lt;br /&gt;Semear Açucena com palavra é dizer amor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-4929927352083935426?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4929927352083935426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/4929927352083935426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/10/hora-de-colher-os-sonhos-maduros.html' title='Hora de colher os sonhos maduros'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-578067245118246487</id><published>2007-10-09T19:21:00.000-03:00</published><updated>2007-10-09T19:28:06.426-03:00</updated><title type='text'>Quando morrem as impressões</title><content type='html'>Olhar&lt;br /&gt;as impressões&lt;br /&gt;do mundo&lt;br /&gt;é sentir.&lt;br /&gt;E só posso&lt;br /&gt;sentir saudade.&lt;br /&gt;Que semeei,&lt;br /&gt;e tem cheiro&lt;br /&gt;e nome&lt;br /&gt;de flor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-578067245118246487?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/578067245118246487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/578067245118246487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/10/quando-morrem-as-impresses.html' title='Quando morrem as impressões'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-9103936307441673345</id><published>2007-10-09T17:16:00.000-03:00</published><updated>2007-10-09T19:20:27.409-03:00</updated><title type='text'>Impressões para além das persianas da vida</title><content type='html'>Barulho infernal. É a cidade, bem ali, do outro lado da persiana. Uma mistura descomunal de sons e barulhos. E muita gente, sempre muita gente. E, no entanto, gente que nem parece gente. Parecem, de alguma forma, harmonicamente disformes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definir o ser humano para além das persianas é coisa densa, e o mais próximo disso que chego é numa criatura inviável, um amontoado de tensão, carne e desejo reprimido. Tudo parece, assim, tão cruel, frio, perturbador. Tudo que sai de dentro do ermo do olhar choca, espanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além das persianas, todo o mundo, toda a vida e a não-vida que me aguarda. Por sorte, o mundo para além das persianas não só age e reage. Essas impressões do mundo morrem quando existe a reação, a rebeldia. E o ser mais rebelde de todos, é, sem dúvida, o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir, e não ter impressões. O sentir é quando morrem as impressões do mundo, da vida, das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no meu mundo, no mundo que sinto, as impressões não crescem. Sentir nos ensina a tecer as amizades, os sabores. Ah, as amizades! O que seria de nós, o que seria do mundo, sem amigos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis mesmo dedicar, se pudesse, esse texto a Jean Pierre Vernant, que foi quem um dia escreveu sobre tecer as amizades. Mas só pude mesmo dedicar àqueles que, sabendo, ou talvez nem sabendo, tornaram-se parte mais importante desse mundo que teci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver nesse mundo além das persianas vale por viver junto daqueles que nos dão a mão e são a companhia para os caminhos tortuosos e íngremes, sentir por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para todos os meus amigos que escrevo hoje. São, todos, meu lar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-9103936307441673345?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/9103936307441673345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/9103936307441673345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/10/impresses-para-alm-das-persianas-da.html' title='Impressões para além das persianas da vida'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7958067138001891719</id><published>2007-10-01T13:59:00.000-03:00</published><updated>2007-10-01T14:13:23.496-03:00</updated><title type='text'>No vale dos pinhões e framboesas</title><content type='html'>Visconde de Mauá me trouxe o mês de outubro, de forma úmida e fria. Vale onde podemos nos elamear e arranhar pernas e braços ao colher framboesas.&lt;br /&gt;Por entre as tão belas montanhas onde podemos ver os gaviões caçando, insetos de todas as formas e tamanhos, o mês de outubro veio às minhas mãos.&lt;br /&gt;Mesmo cinzento, chuvoso e surpreendentemente frio, outubro na montanha é capaz de espantar o inverno de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7958067138001891719?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7958067138001891719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7958067138001891719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/10/no-vale-dos-pinhes-e-framboesas.html' title='No vale dos pinhões e framboesas'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7446785751290200784</id><published>2007-09-27T15:29:00.000-03:00</published><updated>2007-09-27T15:42:45.601-03:00</updated><title type='text'>O tempo e a solidão</title><content type='html'>Certa noite, fim de inverno, sob uma chuvinha birmanesa, fria, eu andava na calçada, na avenida da praia.&lt;br /&gt;Parei no mercado para comprar pão. Ao sair, percebo que havia mais vento ainda. E é sempre divertido ver o comportamento dos nativos na chuva. Apavoram-se, sem saber direito como se portar, e se empacotam em casacos e gorros e cachecóis. É sempre curioso e engraçado, se não temos a pressa que assola o mundo. Saindo do mercado, poucos metros adiante, olho para o lado, numa janela de um apartamento no térreo, de um dentre tantos outros edifícios de pedra fria, fria como o tempo. O que vejo?&lt;br /&gt;Vi uma criaturinha tão miúda, beirando o limiar da vida quase, de tão velhinha. Pequena e simpática, aquela senhora estava parada, de pé, observando o mundo adiante da janela. Esta lhe servia como um véu que separava o mundo de seus olhos. Vi a solidão ali em sua forma. Tinha um leve e apertado sorriso no rosto, quase imperceptível.&lt;br /&gt;Mas caramba! Ele estava lá, eu vi o sorriso!&lt;br /&gt;Não havia pressa alguma no seu olhar. Era como se dele emanasse desapego, um sossego aprendido durante todos os anos que demonstrava ter a doce e pequena senhorinha. Morava ali, como num gigantesco mausoléu, toda a existência, todo o tempo de uma vida, com desejos e sonhos, dores e amarguras.&lt;br /&gt;O mundo, ali, simplesmente, tornou-se a velhinha: inerte. E me fez acreditar então que tudo ao redor se tornara lembranças. As mesmas lembranças de antanho que, como só se fosse possível reavivar naquele sorriso quase-velado, traziam vida, cor, som, aromas, movimentos do que viveu um dia, num dia.&lt;br /&gt;E num dia, um dia, foi-se, e para então não voltar jamais. Restaram para ela somente as lembranças.&lt;br /&gt;Ela era lembranças. E solidão.&lt;br /&gt;Finalmente se move, e percebe que estou lá, perplexo, possivelmente acreditando que se trata de alguma espécie de demente, mas não se importa.&lt;br /&gt;Naquela noite, a solidão olhou pra mim.&lt;br /&gt;E sorriu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7446785751290200784?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7446785751290200784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7446785751290200784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/o-tempo-e-solido.html' title='O tempo e a solidão'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3514106915777867304</id><published>2007-09-21T11:10:00.000-03:00</published><updated>2007-09-21T11:16:19.510-03:00</updated><title type='text'>poema da flor-sincera</title><content type='html'>Fazes-me tão bem,&lt;br /&gt;sentindo ser do tempo&lt;br /&gt;junco,&lt;br /&gt;quando a ti,&lt;br /&gt;junto,&lt;br /&gt;digo todos os nomes&lt;br /&gt;que te dei.&lt;br /&gt;E depois todos eles se esvairam,&lt;br /&gt;nos breves e inúmeros espaços&lt;br /&gt;em que não estás aqui.&lt;br /&gt;Todos se tornaram,&lt;br /&gt;triste,&lt;br /&gt;tristemente,&lt;br /&gt;saudade.&lt;br /&gt;Menos um!&lt;br /&gt;O nome-amor que te dei,&lt;br /&gt;aquele que resistiu&lt;br /&gt;ante à saudade e a despresença.&lt;br /&gt;Por isso te chamo,&lt;br /&gt;e te clamo,&lt;br /&gt;Açucena!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3514106915777867304?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3514106915777867304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3514106915777867304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/poema-da-flor-sincera.html' title='poema da flor-sincera'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-1341466703517623173</id><published>2007-09-20T21:21:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T21:24:02.163-03:00</updated><title type='text'>Nonsenses</title><content type='html'>As montanhas existem para que entendamos os abismos. Mas abismo só existe para que a gente se lembre de nunca cair num... Pássaros coloridos existem para que possamos entender samambaias e praias.&lt;br /&gt;Vento é pra nos lembrar de como respirar é bom. Sorrisos nos lembram olhos doces. E olhos doces, ah, estes, só Açucena tem!&lt;br /&gt;E assim segue a vida, sem muito sentido.&lt;br /&gt;A cada dia que passa me perco ao tentar compreender tanta coisa que no fundo não faz sentido algum. De que vale saber tanta coisa se uma montanha explica um abismo, se o som não consegue explicar jamais o poder do silêncio?&lt;br /&gt;Porém nada explica, não nas palavras mortais, minha Açucena, flor sincera de desejo e candor. Não explica, mas é por ela que continuo vendo esses absurdos do mundo, sem perder o incêndio dos olhos, mas sem deixar que se queimem nos incêndios brutos do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-1341466703517623173?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1341466703517623173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/1341466703517623173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/nonsenses.html' title='Nonsenses'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6404885643748628897</id><published>2007-09-18T19:36:00.000-03:00</published><updated>2007-09-18T19:40:16.632-03:00</updated><title type='text'>outra percepção</title><content type='html'>Açucena precisa de humanidade pra crescer. No concreto ela não brota nunca!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6404885643748628897?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6404885643748628897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6404885643748628897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/outra-percepo.html' title='outra percepção'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6956905564999829855</id><published>2007-09-18T14:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-18T14:24:14.089-03:00</updated><title type='text'>percepções</title><content type='html'>Inverno com dias de calores irreconciliáveis, que parecem nunca acabar. Por onde anda o frio?&lt;br /&gt;O clima é seco, como as pessoas que vejo.&lt;br /&gt;Mundo cão, de pedra e areia e cimento. E pra onde quer que olho, o concreto. E tudo é tão concreto!&lt;br /&gt;As pessoas, secas porque são rudes e rudes porque são secas, se arrumam e se empacotam em roupas inadequadas ao tempo incansavelmente quente, para adentrar o concreto. E dentro do concreto, um mundo dolorosamente... concreto!.&lt;br /&gt;Indiferentemente ao mundo concreto, mundo ladino de vida. E chego dentro da grande jaula de concreto. Aqui, na beirada da janela, por onde vejo a vida concreta, as pessoas secas, dos corações de concreto.&lt;br /&gt;O que pensam? O que respiram? Não sei! Mas exalam concreto por detrás de seus perfumes caros ou baratos!&lt;br /&gt;Fico me perguntando, enquanto não tomo fôlego e coragem para começar o trabalho, essas atividades para pessoas-concreto, se podem sorrir vendo isso. Ninguém repara que não há nada no céu que não seja azul. Ninguém repara que mesmo na cidade tão escassa de verde, podemos ver por aqui e por ali um sabiá ou um bem-te-vi.&lt;br /&gt;Será que essa louca ali na sala contígua à minha pensa nisso? Não, ela não pensa, ela só fala. Fala e reage. Será que ela é mesmo louca, ou é feliz no seu não-saber?&lt;br /&gt;Não, ninguém é louco por isso. Talvez só eu mesmo seja louco. Só posso ter certeza da minha própria loucura, e é nela e com ela que me faço e sinto vivo.&lt;br /&gt;Sou louco, sim, louco para encontrar dentro do mundo de concreto, das pessoas-concreto, um pouco de vida, um pouco de humanidade. Esses homens e mulheres de concreto só têm uma loucura: serem salvos por um deus, um deus piedoso como as paredes dos prédios de concreto, que eles mesmos criaram! Covardia para fazer pensar suas mentes de concreto&lt;br /&gt;E quem se lembra que é humano numa vida cada vez mais de aço e silício...&lt;br /&gt;e concreto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6956905564999829855?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6956905564999829855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6956905564999829855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/percepes.html' title='percepções'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7135773858565182232</id><published>2007-09-13T18:14:00.000-03:00</published><updated>2007-09-13T18:19:12.785-03:00</updated><title type='text'>sutilezas</title><content type='html'>Existo sem crer&lt;br /&gt;sem pensar.&lt;br /&gt;Existo por sentir&lt;br /&gt;e desejar,&lt;br /&gt;por meio de auspícios,&lt;br /&gt;fragrâncias,&lt;br /&gt;entre minhas alquimias&lt;br /&gt;e sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7135773858565182232?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7135773858565182232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7135773858565182232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/sutilezas.html' title='sutilezas'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-3989448209655922762</id><published>2007-09-11T14:28:00.000-03:00</published><updated>2007-09-11T14:43:18.250-03:00</updated><title type='text'>11 de setembro, dies irae</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hoje completa mais um ano de um dos mais nefastos e tristes dias da história do continente americano, episódio que ficará sempre na memória daqueles que cantam a história pelos caminhos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi numa quarta-feira de um 11 de setembro que inimigos liberdade, cruzando os céus com máquinas, arautos da morte, bombardearam e puseram fogo no que representa o grau mais elevado nas criações humanas: a democracia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os inimigos da liberdade, tiranos, senhores de sempre, donos do poder, alijando todo um povo de trilhar seu próprio destino, atacaram impiedosamente pessoas que se refugiavam num prédio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sim, um prédio só, e não duas torres. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Foi num 11 de setembro, numa quarta-feira, quando, acuados no Palácio de La Moneda, entre eles o primeiro presidente eleito democraticamente na história da América Latina, Salvador Allende, foi acuado e exterminado por tropas com apoio de aviões estadunidenses.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;E a voz de um povo inteiro foi calada quando no estádio nacional torturaram e metralharam Victor Jara, que mesmo com os dedos cortados, cantou contra a injustiça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Um dia, como no jardim das açucenas, esse povo irmão, será dono do próprio destino. Um dia meu povo vai&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; criar nosso próprio tempo, por &lt;em&gt;ancho camino...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-3989448209655922762?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3989448209655922762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/3989448209655922762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/11-de-setembro-dies-irae.html' title='11 de setembro, dies irae'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2517646503341097626</id><published>2007-09-01T05:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-01T01:24:39.245-03:00</updated><title type='text'>Flores do mal</title><content type='html'>Ontem vi cravos numa sacada, a miséria humana num vaso de barro. Vi a decadência de uma família, nas paredes mal cuidadas de um hospital público Casa de agonia, casa de dor. Por quantos infernos passamos antes de morrer, antes de voltar para o inferno?&lt;br /&gt;Ontem, pelo caminho, via cravos numa sacada. E como poderia imaginar que seriam o prenúncio de lágrimas, de saudade sem fim, saudade cheia de dor e angústia?&lt;br /&gt;Vi cravos na sacada, e na casa sem sacada, onde as paredes lutavam contra o tempo para não lembrarem demais as paredes do hospital, casa de doença, vi a dignidade morrer, uma família destroçada, por fim, acabar.&lt;br /&gt;Ao ver os cravos na sacada, quis chorar, porque a morte tanto passou ali, no corredor mal cuidado, de aspecto imundo, na minha frente, rindo do tempo, rindo de mim, dos outros, de qualquer um que entrasse naquele lugar de horror.&lt;br /&gt;E hoje, quando toca o telefone, maldito e infame, vejo os cravos na sacada, e outra vez a morte, anunciada.&lt;br /&gt;No jardim da minha Açucena, reino do tempo, reino de mim, não semearei nenhum cravo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2517646503341097626?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2517646503341097626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2517646503341097626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/09/flores-do-mal.html' title='Flores do mal'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-8748511695542094692</id><published>2007-08-30T09:31:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T09:33:14.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poetinha'/><title type='text'>Porta-Retrato</title><content type='html'>Tudo começou quando num dia de outono isso saiu num café, num intervalo de aula...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criei, do caos quotidiano&lt;br /&gt;meu próprio oceano.&lt;br /&gt;Diante da simetria pedante&lt;br /&gt;desse fosco prédio&lt;br /&gt;consegui a façanha&lt;br /&gt;de aniquilar o tédio&lt;br /&gt;com um simples&lt;br /&gt;pensamento não-linear,&lt;br /&gt;nas curvas sinuosas&lt;br /&gt;do teu sorriso.&lt;br /&gt;Mas nas correntezas do oceano&lt;br /&gt;Risivelmente efêmero, esvaiu-se&lt;br /&gt;na mesma não-linear curva&lt;br /&gt;da fumaça de um cigarro,&lt;br /&gt;que nos deixa a visão turva&lt;br /&gt;e afoga o sorriso num escarro!&lt;br /&gt;Levando a obra do pensamento&lt;br /&gt;embora, com o vento,&lt;br /&gt;na imensidão do firmamento.&lt;br /&gt;Senti-me pedido, abatido,&lt;br /&gt;devido à tristeza do momento.&lt;br /&gt;Mas num ato de bravura,&lt;br /&gt;uma atitude nobre e sensata&lt;br /&gt;que eternizei teu sorriso&lt;br /&gt;num filme de nitrato de prata!&lt;br /&gt;E, naquela linear gravura&lt;br /&gt;de papel colorido e brilhante,&lt;br /&gt;trancafiei e eternizei o momento&lt;br /&gt;e o tempo, deixando-o encarcerado&lt;br /&gt;nas fortalezas, não-curvas e lineares&lt;br /&gt;de um simétrico porta-retrato!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-8748511695542094692?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8748511695542094692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8748511695542094692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/08/porta-retrato.html' title='Porta-Retrato'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-2858784200361128367</id><published>2007-08-29T14:18:00.000-03:00</published><updated>2007-08-29T10:38:26.550-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poetinha'/><title type='text'>o amauta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;como é difícil semear uma campina intergalática! Fico olhando pra esse quadrado e tentando achar no gulliver o que jogar dentro dele. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Gulliver, gigante de mim... poderia ser nome de mar, de gente, de cachorro ou até de rua. Gigante de nada, de desejo, de carne, de saudade, de som. Gulliver é impasse, quase inviável, se não fosse o Quixote que vive abaixo dele, carreando e passeando em ruelas vermelhas e tortuosas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;impasses em mim, impasses de mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;e nã oé que esse é o começo do jardim das açucenas??&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-2858784200361128367?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2858784200361128367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/2858784200361128367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/08/o-amauta.html' title='o amauta'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-465279583349985118</id><published>2007-07-04T10:00:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T09:19:49.593-03:00</updated><title type='text'>dispersos</title><content type='html'>Primeiro dia de férias. Curioso, que mesmo depois de tão sonhada data, eu perdi o sono de novo. Acordei antes da hora que gostaria. Não sei o que há comigo. Ontem eu pude sentir e refletir sobre os efeitos dessa insônia; não havia qualquer resquício ou lembrança de bom humor nos meus gestos. Agi horrivelmente, falei horrivelmente, resmunguei como um velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim do dia só faltou eu espumar porque o forno de microondas, maldito, não esquentou a comida direito. Por que eles nunca esquentam a comida como deveriam? As coisas não funcionam como deveriam, e seus donos nunca lêem as porcarias dos manuais. Mas eu li o manual desse forno. De cabo a rabo. E esse puto desse forno não esquenta minha comida direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo por preguiça de usar o fogão, ou melhor, de lavar a panela depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro dia de férias e eu já de saco cheio do dia. São sete da manhã, e eu não queria estar aqui. Talvez na montanha, longe do computador ou do celular, esse infame comedor de dinheiro. Pago uma fortuna não pra comer, nem pra beber. Pago pra falar, apenas falar, e a mais grossa fatia disso é pura besteira. O celular é outro aparelho que ninguém sabe usar direito. É algo que querem que funcione como câmera fotográfica, computador, mapa, aparelho de som, rádio. Também é telefone. Não importa! Quanto mais colorido e mais músicas estranhas tocar, melhor. Ao gosto e bel prazer do consumidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas pagam, e pagam caro, para terem cada vez mais coisas que nunca antes lhe foram úteis e que não saberão como usá-las direito. Usar o que compram não é o fundamental. No admirável nada novo mundo feito de polietileno e fibra de carbono o consumo não é mais um caminho, um meio para algum fim. Consumir virou fim em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malditas futilidades!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que eu deixo a televisão ligada? Agora falam do presidente mais antidemocrático da história da humanidade. Um tirano latino-americano chamado Hugo. Dizem que ele tem não a maioria, mais a totalidade dos votos nas Casas legislativas. Curioso: ninguém menciona que foi a oposição, direitista por excelência, golpista e arrogante por hábito histórico, quem simplesmente boicotou o processo eleitoral e não foi ninguém deles para a disputa democrática. Mas é a televisão, algo que deveria lembrar democracia, só lembra pão e circo. Muito circo e nenhum pão. O pão tem que pagar para anunciar nos intervalos do circo. Super democrático. Formam, não informam, e foram mal. Super democrático demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem um dia vai expressar a minha opinião, ou a sua ou a do seu vizinho? Algumas vezes eu comungava com algumas revistas, de bem menor tiragem que as dos donos das televisões, os “donos do poder”. Não sei se hoje eu consigo. Sinto-me pior do que estava ontem por pensar que desisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso é que quem escreveu “os donos do poder” era um deles. Mas os maiores críticos dessas coisas são os que fazem uso dela. Menos os críticos de arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico esperando o “seu’ Oswaldo, o senhor que aluga a garagem. Ele sempre passa cedo demais. Todas as vezes que ligo, ele me pergunta que horas ele deve passar aqui, eu falo alguma hora e ele responde: “então ta bem, às oito e meia eu passo aí”. Só posso rir. Daqui a pouco ele passa. Sempre pontual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, bem cedo, tinha um gato miando na janela. Ele veio antes do “seu” Oswaldo. Sorte a minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-465279583349985118?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/465279583349985118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/465279583349985118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2007/07/dispersos.html' title='dispersos'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-6922482071508303904</id><published>2006-08-08T02:00:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T09:28:04.571-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poetinha'/><title type='text'>Botões e a saudade eterna</title><content type='html'>Tinha olhos vivos, inquietos. Ainda me lembro como se fosse hoje, e era tão bom vê-lo correndo, se divertindo ao cutucar um sapo, ou atrás de algum bicho bobo qualquer. Gatos folgados, patos, galinhas, lagartos, até moscas; eram bobos. Nunca queriam brincar. Também pudera! Como um menino, era de uma energia intensa, que era alegria perto de crianças como ele; era ternura perto do triste, era afago quando havia tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, só o vazio. Só a coleira de prata que é feita de ferro, que ainda guarda um certo morninho, um cheiro de toda a peraltice e vida que ele tinha. E fica lá, inerte, na cabeceira da cama, junto com um sapatinho amarelo de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi a infância eterna, um menino. Não sabia falar, mas nem precisava: os ecos deles ainda ressoam na pedra, no gramado, no lago barrento, e, mais ainda... ele vive, entre a saudade e o silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-6922482071508303904?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6922482071508303904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/6922482071508303904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2006/08/botes-e-saudade-eterna.html' title='Botões e a saudade eterna'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-8939038248583455547</id><published>2006-07-28T04:21:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T09:23:39.976-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poetinha'/><title type='text'>cemitério de mim</title><content type='html'>Quando me vi não estava mais perdido... e me encontrei num cemitério, onde estavam enterradas todas as palavras não escritas, todas as palavras que não disse. A alma delas clamava por vida. Por que será que não as disse?!?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me restou mesmo delas foi apenas a lembrança de parcos fios de cabelo desfeito e desalinhado, que grudavam na boca inerte, quando voltavas o olhar para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristemente, vi estar ao centro do cemitério uma figueira, quase morta, e ao seu pé apenas restos do que um dia, num tempo de antanho e feliz, era vida, o verde... restos&lt;br /&gt;restos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um monte de restos, de cinzas que cobriam a lápide lisa clamando pelas palavras que não pronunciei por medo, por pudor, fraqueza, ou mera angústia e incerteza do que ouvir e dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figueira é a vida, a minha vida, que me estrangula, que não quer outro papel que não o principal, no túmulo jaz toda a vida que a minha vida consome –  e quer mais, insaciável, rondando a todo instante meus pulmões a vida não me deixa estar vivo...é uma figueira seca e perversa a me cobrir com suas folhas mortas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-8939038248583455547?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8939038248583455547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/8939038248583455547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2006/07/cemitrio-de-mim.html' title='cemitério de mim'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-712108562239810712.post-7763793734448501557</id><published>2002-10-24T02:00:00.000-03:00</published><updated>2007-08-30T09:30:11.749-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poetinha'/><title type='text'>Mãos</title><content type='html'>Mãos&lt;br /&gt;que fazem&lt;br /&gt;e nunca&lt;br /&gt;se cansam.&lt;br /&gt;Mãos&lt;br /&gt;que cerram&lt;br /&gt;e lutam&lt;br /&gt;contra&lt;br /&gt;as mãos&lt;br /&gt;que afanam.&lt;br /&gt;Mãos&lt;br /&gt;que tateiam&lt;br /&gt;e buscam&lt;br /&gt;na escuridão&lt;br /&gt;da vida&lt;br /&gt;uma luz,&lt;br /&gt;uma saída&lt;br /&gt;também são&lt;br /&gt;as mesmas&lt;br /&gt;mãos rudes&lt;br /&gt;ou delicadas&lt;br /&gt;mãos&lt;br /&gt;que afagam&lt;br /&gt;outras faces,&lt;br /&gt;outras mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/712108562239810712-7763793734448501557?l=sobrenuvensefronhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7763793734448501557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/712108562239810712/posts/default/7763793734448501557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuvensefronhas.blogspot.com/2002/10/mos.html' title='Mãos'/><author><name>poetinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15804476538435759356</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_PCMVW0SQQWM/SS31Qx5ZTRI/AAAAAAAAAAU/fqrZjXAvE30/S220/Ag.+Negras+106+dimiu%C3%ADdo.JPG'/></author></entry></feed>
