quarta-feira, 21 de junho de 2017

A casa

A casa não é somente um lugar de dormir e comer; é onde o nosso mundo tem sentido. 

O lugar que ordena os objetos do nosso espírito, que corresponde às amplitudes da nossa própria alma, para além dos embaraços e constrangimentos de acasos do tempo.

Porque ali fico despojado de tudo que as condições do tempo e da história fizeram em mim. Livre do agora, do aqui, do instante. Porque é luminoso e intenso e cheio de história, como uma ponte gasta no encontro de dois rios.

E me dá uma vontade imensa de beijar todas as suas ousadias do restante da vida. Porque mesmo longe da montanha, a casa me faz sentir acompanhado como nunca.

A casa é o instante que aprendemos a ocupar nosso lugar na esperança, ou no mundo das nostalgias do futuro... 

Disseram uma vez que é preciso morrer para ser pai de um poema. Não concordo; juro que o fundamental é simplesmente aprender a chegar em casa.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Quando uma professora te deseja uma montanha

Nossas noites hoje já não são um punhado de estrelas na trama escura do céu. E não se engane: se a lua for sua mãe, ela não será feita de ternura como Maria. 

O mundo nunca foi nem será um lugar tranquilo, não se engane: sempre há o peso de juízos, de perigos e princípios.

Entretanto bastou olhar para uma montanha para entender dos abismos tangenciando meus infinitos: erguendo outros milagres, outro céu, aprendendo a andar num “labirinto móvel”, por entre aquilo que cega, e que equivocadamente depositamos sonhos e esperanças.

Esse olhar não precisa ser de ouro ou de prata; que seja de vida. Que olhe para um futuro e não para um velho mundo de alicerces caducos e já abalados. Um olhar deve ser uma conjuração contra maus caminhos e fantasmas.

Os olhos como “artesãos lúcidos” e sinceros das nossas próprias revelações.

Essa é a lucidez do milagre de olhar para as montanhas – e eu só precisei de uma! – você não sente vertigem, sente sagrado.


No mistério e na ousadia da montanha é onde meu mundo faz sentido.